Brigadeiro defende impeachment de FHC
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O ex-candidato à presidência da República pelo nanico PMN, brigadeiro Ivan Frota, sugeriu ontem, no almoço realizado no Clube da Aeronáutica, no Rio, o impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso. Defendo não só o impedimento, como um movimento popular forte para substituir o governo da maneira mais rápida possível, afirmou. Eu não chamaria isso de golpe porque quem elege, tem o direito de deseleger.
O almoço de desagravo ao ex-comandante da Aeronáutica, Walter Brauer, tornou-se como era previsível um ato de protesto dos militares nacionalistas contra o governo FHC. Cerca de 660 pessoas, a maioria militares da reserva, lotaram o salão do clube e aplaudiram longamente o presidente da entidade, brigadeiro Ércio Braga, que, em seu discurso, conclamou a sociedade a dizer que havia chegado à fronteira do inaceitável e encerrou afirmando que uma palavra sintetizaria o sentimento dos militares: Basta. Só faltaram as faixas de Fora FHC. O almoço cedeu espaço para que setores militares defendessem a volta ao poder.
A liderança das massas, apontou Frota, poderia ser levada pelos militares. Não posso falar em nome dos militares, mas certamente haverá muitos prontos a liderar um movimento como esse, garantiu. A campanha de Frota, porém, não interessou ao presidente do conselho deliberativo do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Murillo Santos. O impeachment é uma coisa vergonhosa, afirmou. E o presidente do clube, brigadeiro Ércio Braga, não quis se estender sobre como esse tipo de discurso poderia sensibilizar os quartéis. Não tenho intenção de responder pelos militares da ativa, cortou, rápido.
Vários decibéis acima, o capitão reformado do Exército e deputado federal Jair Bolsonaro (PPB) decidiu pregar pela execução literal do presidente FHC. Ele, para mim, tinha que ser fuzilado, afirmou. Bolsonaro defendeu a adoção do que classificou como padrão Hugo Chávez para o Brasil. Se aparecer um oficial general, um militar qualquer que tenha como capitalizar para si os anseios da população, podemos partir para isso, disse.
Destoante mesmo, no entanto, era a presença do compositor Geraldo Vandré. Um dos ícones da revolta contra a ditadura militar graças à canção Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores adotada como hino nas passeatas e manifestações nos últimos anos, Vandré foi adotado pela Força Aérea Brasileira, para quem compôs a música Fabiana. Segundo pessoas ligadas ao compositor, Brauer, que o conheceu no 4º Comando Aéreo Regional (Comar) em 1993, foi quem ajudou Vandré em situações difíceis que, desde a volta do auto-exílio, em 1971, não se apresentou mais em público.
Cabelos longos e grisalhos, camiseta com o símbolo da FAB, Vandré declamou ao microfone os versos de Fabiana. Ironia final, após a récita, dirigiu-se a Brauer utilizando a famosa frase de seu hino de protesto: Vem, vamos embora que esperar não é saber mas, na continuação, adicionou o refrão da música em homenagem à FAB: Vive em tuas asas todo o meu viver. E arrematou: Sou teu, Força Aérea.





