Brigadeiro Baptista assume Aeronáutica
Agência Estado
De Brasília
O ministro da Defesa, Élcio Álvares, anunciou ontem o nome do brigadeiro Carlos Almeida Baptista, atual presidente do Superior Tribunal Militar (STM), para o comando da Aeronáutica. Baptista é do quadro especial da Força, e vai substituir o brigadeiro Walter Werner Brauer, exonerado anteontem do cargo.
A exoneração de Brauer resultou de uma declaração do oficial de que a vida pública tem que ser bastante ilibada, transparente, que não deixe dúvidas, numa crítica indireta à manutenção de Solange Antunes Rezende como assessora do ministro Élcio Álvares, depois de ela ter tido quebrado seus sigilos bancário, fiscal e telefônico pela CPI do Narcotráfico, por suspeita de ligação com narcotraficantes. Solange também acabou demitida anteontem.
Ontem mesmo, logo após ter sido convidado, Baptista e Élcio foram recebidos no Palácio do Planaldo pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Baptista preferiu não polemizar com o antecessor Brauer. Hierarquia e disciplina são as coisas básicas e indispensáveis de serem mantidas nas Forças Armadas, prosseguiu, que afirmou não ter conhecimento das declarações de Brauer. Não sei o que está se passando direito, desconversou.
O brigadeiro acredita que foi chamado para o cargo por ser o oficial mais antigo da Força. Estou em uma missão muito importante no STM, mas também estou pronto para ajudar no que for preciso, principalmente em função da minha antiguidade, afirmou ele, depois de acrescentar: Esta é uma missão que todo aviador fica dignificado de poder desempenhar.
Baptista evitou comentar questões polêmicas para a Força Aérea, como o fim do Departamento de Aviação Civil (DAC), com transferência de suas atribuições para Agência Nacional de Aviação Civil, a ser criada, principal foco de resistência dos militares da FAB. Estou muito voltado para a Justiça Militar e envolvido com a discussão sobre a reforma do Judiciário, observou o brigadeiro, que não concorda com os questionamentos sobre a importância da Justiça Militar.
Foi na gestão de Baptista que o STM reabriu o Caso Riocentro para apurar novas responsabilidades de militares na explosão de uma bomba no Rio. Em 1964, durante o golpe que levou os militares ao poder, Baptista estava no Congo Belga participando de uma missão de paz. Foi para lá em dezembro de 1962 e voltou somente em junho de 1964.
Carioca, 67 anos, casado, três filhos, Baptista foi aspirante da turma de 1954. Ocupou vários cargos: foi chefe do Estado-Maior do Comando Geral do Ar, comandante da Defesa Aeroespacial, vice-chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, diretor do Departamento de Pesquisa, Ensino e Desenvolvimento do Ministério da Aeronática e também ocupou o cargo de comandante geral do Ar. Foi chefe de gabinete do ex-ministro da Aeronática, Moreira Lima.
Na última quinta-feira, o brigadeiro Baptista recebeu uma medalha do presidente Fernando Henrique Cardoso, em solenidade no Palácio do Planalto, pelos 50 anos de serviços prestados à Aeronáutica.





