RomaAs novas Brigadas Vermelhas (BR), que reivindicaram ontem o atentado da véspera contra o economista Marco Biagi, assessor no setor de trabalho do governo de Silvio Berlusconi, voltaram a atacar na Itália, despertando antigos ódios e ressentimentos. A reivindicação do assassinato de Biagi foi feita a um jornal de Bolonha, onde foi cometido o assassinato, e está sendo avaliada pelas autoridades. Dois sinais, a frase ‘‘objetivo centrado’’, e uma estrela de cinco pontas dentro de um círculo, símbolo histórico das Brigadas Vermelhas, pintados a poucos passos da residência do economista, aumentam as suspeitas de que a organização terrorista italiana pode ser realmente a autora do delito que reivindica.
Fundadas em 1973 por um intelectual e professor universitário, Renato Curcio, detido em 1976, as BR surgem da radicalização do movimento estudantil de maio de 1968 em todo o velho continente.
Em outubro de 1969, durante o chamado outono quente, Itália foi abalada por uma série de greves e sangrentos atentados, alguns deles organizados pelos serviços secretos e grupos fascistas. A primeira ação terrorista das BR foi o sequestro a 18 de abril de 1974 de Mario Sossi, juiz de Gênova, organizado por Alberto Franceschini. O refém foi libertado após 35 dias de detenção.
A 16 de março de 1978, realizam a ação mais espetacular de sua história: sequestram Aldo Moro, presidente da poderosa Democracia Cristã, o partido que conduziu as rédeas do país por quase meio século. Seu sequestro e posterior execução, 55 dias depois, marcaram a história da Itália. No total 415 pessoas morreram durante esses anos e mais de 15.000 atentados foram cometidos de 1969 a 1986.
Depois de mais de 10 anos de silêncio, seus herdeiros, as Brigadas Vermelhas-Partido Comunista Combatente (BR-PCC) reivindicam em maio de 1999 o assassinato de Massimo D’Antona, assessor em questões de trabalho do governo de centro-esquerda. A reivindicação de ontem do atentado contra o assessor do governo de centro-direita, Marco Biagi, preocupa as instituições, que temem o regresso do terrorismo interno, justamente num momento tenso para a Itália, quando todos os sindicatos convocaram uma greve geral contra a política do governo de Berlusconi em relação ao trabalho.

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