Briga vai começar, avisa a Amunpar
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Márccio Varella Paranavaí 
Marcos Negrini/Folha de LondrinaLiçõesAntonio Teruo Kato: Estamos aprendendo a mudar com a criseAgora é que a briga vai começar. Vamos buscar o apoio de todos os parlamentares que têm voto na região para lutar pelas nossas reivindicações. O comentário é do assessor da Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense (Amunpar), Valdur Trentini, a propósito da aprovação da emenda que prorroga por dois anos e meio o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).
Pela segunda vez nos últimos seis anos as prefeituras do Extremo Noroeste do Paraná fecham as portas para protestar contra a falta de recursos. Na primeira vez, em 1991, 15 prefeituras interromperam o trabalho por uma semana. Agora, a adesão ao protesto é total - as 29 prefeituras da região estão com as portas fechadas desde quarta-feira e só vão reabri-las no dia 27. Serão sete dias úteis de greve.
O movimento é presidido pelo prefeito de Santa Cruz do Monte Castelo (a 175 quilômetros de Maringá), Hélio Vasconcelos Júnior. A Amunpar abrange esses 29 municípios, que têm cerca de 300 mil habitantes e 200 mil eleitores. Os maiores municípios do extremo noroeste do Paraná estão participando da greve, entre eles Paranavaí, Terra Rica, Loanda e Nova Londrina.
Paranavaí é o maior município da Amunpar. Tem 80 mil habitantes, de acordo com os cálculos do prefeito Antônio Teruo Kato (PSDB) e 73 mil pelas contas do IBGE. A principal atividade da região é a pecuária de corte.
O prefeito Kato explica que quando assumiu, em 1º de janeiro deste ano, a prefeitura já estava tendo um prejuízo mensal de R$ 50 mil: O FEF retém 12% da nossa parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O FPM é de R$ 415 mil. O FEF nos tira R$ 50 mil. A Prefeitura de Paranavaí arrecada uma média de R$ 1,4 milhão por mês, entre FPM, IPTU, ICMS, ISS e IPVA. O crescimento do município, no período de janeiro a maio deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado, foi de 14%. O cálculo levou em conta a arrecadação de ICMS.
Kato assumiu a prefeitura com uma dívida a curto prazo de R$ 1,8 milhão, R$ 300 mil de precatórios e mais R$ 3 milhões de financiamento de longo prazo. A de curto prazo nós conseguimos abater R$ 1,3 milhão, afirmou Kato. Kato está fazendo um controle rígido de gastos com pessoal (não renovou o contrato de 180 funcionários celetistas; a prefeitura tem 1.500 servidores), veículos e telefones.
Apesar da greve, os serviços essenciais da Prefeitura de Paranavaí e de todas as outras ligadas à Amunpar estão funcionando normalmente, como atendimento nos postos de saúde, nas creches municipais e varrição e recolhimento de lixo.


