Briga tumultua sessão na Assembléia
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terça-feira, 17 de março de 1998
Leandro Donatti 
Marcelo AlmeidaEntre tapas e beijosDeputado Irineo Colombo, do PT: pancadaria no plenário motivou prisão dirigente Assis Antonio Malacarne e instauração de inquérito parlamentar O deputado do PT, Irineo Colombo, e o presidente do Movimento dos Atingidos pela Barragem da Hidrelétrica de Salto Caxias (Mabesc), montaram um ringue ontem à tarde na Assembléia Legislativa, em Curitiba. Os dois trocaram tapas e empurrões no meio do plenário, às 15h45min. Para pôr fim à pancadaria apartada pelos deputados do PMDB Caíto Quintana, Luiz Claudio Romanelli e assessores, o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), suspendeu a sessão e determinou a lavratura de auto em flagrante e a instauração de inquérito parlamentar, que será presidido pelo secretário geral Luiz Carlos Martins (PFL).
O dirigente da Mabesc foi algemado pelos seguranças da Assembléia e removido, por volta das 17 horas, para o 1º Distrito de Polícia da capital. Há duas versões para o incidente. Uma de que Malacarne iniciou a briga e outra de que foi de iniciativa do deputado do PT o primeiro empurrão. Não sei por que esse trambiqueiro não muda de uma vez para o PFL, gritava. O pivô da desavença é o antigo problema enfrentado pelos comerciantes e moradores dos municípios vizinhos à usina de Salto Caxias, em Capitão Leônidas Marques, no Sudoeste do Paraná, que reclamam indenizações junto ao governo do Estado pela desapropriação das áreas feita há dois anos.
Um grupo de comerciantes foi até à Assembléia ontem mais uma vez pedir a interferência de Colombo e do deputado Nereu Moura (PMDB), da região, para uma solução do impasse criado com a Copel, que, segundo os atingidos, reluta em discutir os valores das indenizações. Colombo integra o Grupo de Estudos Multidisciplinar (GEM) e não reconhece a Mabesc como entidade legítima para tratar da matéria, razão principal que motivou o bate-boca e a troca de tapas. Eles ficam cobrando taxas de adesão, fazendo promessas de ajuda sem garantia nenhuma, acusa o deputado.
Mais calmo e arrependido de ter sido um dos protagonistas da peleja em plenário, Irineo Colombo disse que apenas se defendeu. Acompanhado de Nereu Moura, ele pediu ontem ao presidente da Assembléia o relaxamento da prisão de Assis Antonio Malacarne. Eu não reconheço o movimento dele e fui esclarecer isso, mas prender..., observou o deputado ao dar sinais de que a medida foi enérgica demais. Colombo alega, entretanto, que a agressão foi de iniciativa do dirigente da Mabesc e não tinha justificativa. Eu apenas disse que o grupo de estudos que eu integro (GEM) tem a preocupação de filtrar a picaretagem e que a Copel aceitou conversar com os comerciantes que se dizem prejudicados com a usina, por nossa intermediação, assinalou.
Os representantes das entidades comerciais de Três Barras, Nova Prata, Boa Vista da Aparecida, Cruzeiro do Iguaçu, Nova Esperança, Alto Alegre do Iguaçu, municípios atingidos pela construção da Usina de Salto Caxias, aproveitarm o quiprocó entre o deputado e o presidente da Mabesc para novamente se indignarem com a questão, que, de acordo com eles, é colocada em segundo plano pelos setores competentes.
A usina representou uma redução de 35% em média da nossa população. E isso trouxe sérios prejuízos, que precisam ser ressarcidos, reclama o presidente da Associação Comercial de Três Barras, Carlos Sartori. Para os comerciantes, não faz diferença se é a GEM ou a Mabesc a entidade responsável pelas negociações. O que queremos é uma solução, pregava ontem o comerciante Aldo Casagrande.


