Briga por vaga no Senado cria tensão no governo
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaGreca empurra Emília e quer a vagaA disputa pela indicação ao Senado, nas eleições do ano que vem, está indispondo os aliados do governador Jaime Lerner (PFL). O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL); e o vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio (PTB), anteciparam a discórdia - travada até então nos bastidores pelo chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), pela vice-governadora Emília Belinati (PTB) e pelo ministro da Previdência Reinhold Stephanes (PFL). Khury tenta emplacar o secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), como o vice de Lerner em 98 e empurra Emília para o Senado. Túlio defende tese que exclui Greca do páreo, por ter sido ex-prefeito da capital.
O chefe da Casa Civil decidiu partir para o ataque. Dizer que eu não posso integrar a chapa porque dois ex-prefeitos de Curitiba (Lerner e Greca) prejudicam a aliança é discriminatório. O Túlio está querendo dar provas de autofagia e fere o seu juramento como vice-prefeito, dispara. Greca afirma que senador tem de representar o Estado e não regiões e que nas visitas que vem fazendo ao interior sente-se à vontade para pedir votos.
Greca diz que a tese de Túlio - avalizada pelo silêncio do prefeito Cássio Taniguchi (PFL) - é furada. Cita as disputas de 82 e de 86, como exemplos. José Richa (PSDB) e o presidente da Telepar, Álvaro Dias (PSDB), concorreram ao governo e Senado e se elegeram. Ambos são de Londrina e nem por isso a chapa ficou inviabilizada. Em 94, dois ex-prefeitos de Curitiba se elegeram (Lerner ao governo e Roberto Requião - do PMDB - ao Senado) também. Foi dobradinha errada que pode ser consertada em 98 comigo e Lerner, insinua o ex-prefeito que trabalha para desviar Emília do seu projeto.
Segundo ele, a doutora Emília poderá ao lado do urbanista Jaime Lerner testar no ano que vem a sua popularidade como vice e se reeleger. É esdrúxulo tentarem me excluir da chapa. O PFL tem de defender a indicação para o partido, declarou. Apesar das declarações do presidente do partido, José Carlos Gomes Carvalho - de que Greca pode esperar mais um pouco - uma disputa sem Emília ficaria mais facilitada. O ministro Stephanes, que esteve em Londrina na terça-feira e classificou o seu nome como o melhor para 98, poderia ser acomodado com uma recondução ao ministério de FHC.
Túlio não está disposto a recuar. Inicia nos próximos dias viagens ao interior para difundir a tese. Londrina, base eleitoral da vice-governadora, deve ser a primeira cidade do roteiro. Não é nada contra o Rafael. Estou a serviço do governador. Se ele (Greca) está bem nas pesquisas, se elege a deputado federal com tranquilidade e leva outros três nas costas. Não é momento para projetos pessoais, provoca. Emília sabe que tem em Túlio um aliado. Na quarta-feira, no entanto, avisou que definições só deverão ocorrer no ano que vem.
A briga interna pela indicação ao Senado fortalece o secretário Hermas Brandão, que sonha em ser vice de Lerner. O PTB abre espaço para o secretário e outros poucos petebistas aparecem no programa do partido que vai ao ar na próxima segunda-feira. Nas solenidades oficiais, o secretário já fala como candidato.


