Briga pelos votos vai polarizar personalismo e renovação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Os 28.498 votos registrados pelo pepista Antonio Belinati em 21 bairros abrangidos pela 157ª Zona Eleitoral de Londrina se mostram impactantes diante dos 7.469 votos obtidos, na mesma região, pelo adversário do ex-prefeito no segundo turno, Luiz Carlos Hauly (PSDB). Proporcionalmente, é uma diferença de quase quatro vezes mais eleitores conquistados pelo pepista em relação ao tucano. Entretanto, no Centro predominantemente no universo da 42ª , e em parte da 41ª Zona Eleitoral o registro das urnas mostra que Hauly detém uma vantagem razoável, com seus 12.900 votos contra os 4.763 de Belinati. Foi a única zona em que se sagrou no primeiro lugar.
Analistas políticos consultados pela FOLHA, contudo, observaram que, ainda que o ex-prefeito tenha sido, com seus mais de 98 mil eleitores, o vencedor de seis das sete zonas eleitorais da cidade, a pulverização obervada na estratitificação por zonas revela que o quadro está longe de ser definido mesmo porque, à exceção da 157ª (veja infográfico), a vantagem em relação aos adversários cai significativamente.
No domingo passado, Belinati contabilizou 98.432 dos votos válidos (36,38%), diante dos 63.891 (23,61%) conseguidos por Hauly. Barbosa Neto (PDT), registrou 62.020 votos (22,92%).
Para a cientista política Luzia Herrmann, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a distribuição dos votos verificada afasta uma análise comum no Brasil: A de que há uma disputa entre centro x periferia, ou entre classes médias x pobres. É um equívoco pensar assim, disse.
Na avaliação da estudiosa, a campanha de segundo turno, em Londrina, está muito mais centrada em estilos dos candidatos que, necessariamente, em posições ideológicas. De um lado, está a política partidária, programática, com claro matiz social-democrata; de outro, a política carismática, emocional, que valoriza o relacionamento personalista entre candidato e eleitores. Acredito que, no segundo turno, os eleitores dos candidatos derrotados irão se decidir em função predominante deste aspecto. E há também as acusações que pesam contra Belinati, que certamente terão algum grau de influência na decisão do eleitor, visto que o nível de rejeição ao candidato é grande, apontou. Por outro lado, Luzia lembra que o eleitorado do ex-prefeito, até pelo retrospecto, se mostra fiel.
Quem absorve ou conquista votos de quem? Acredito que os eleitores de Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e André Vargas (PT) em sua grande maioria vão optar pelo Hauly, visto que são votos mais programáticos de políticos que transitam no campo da social-democracia. A dúvida maior está em decifrar o comportamento dos eleitores de Barbosa, que, embora pertença a um partido importante, não possui o perfil partidário dos outros três candidatos. Ele é do tipo mais personalista. Em outras palavras, a analista resume: Creio que esses votos vão se dividir bastante: uma parte vai seguir o personalismo de Belinati e a outra vai apostar na renovação com Hauly.
Em linha de análise semelhante, no que se refere à conquista dos eleitores dos outros candidatos, o cientista político Mário Sérgio Lepre, da Universidade Filadélfia (Unifil), defende que o segundo turno é sempre outra eleição. Agora é o puro trabalho de campanha que conta.
Na avaliação de Lepre, ainda que Belinati tenha vencido em quase todas as zonas eleitorais, o fato de o terceiro maior eleitorado nas urnas não tê-lo escolhido é um sinal de que o segundo turno não está tão descaradamente ganho. O eleitor do Barbosa pode até ser um eleitor da mesma faixa daquele que vota no Belinati, mas não optou pelo ex-prefeito em um primeiro momento.


