Briga entre candidatos vai parar na PF
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2000
Elisa Carneiro e Leandro Donatti De Curitiba 
A briga pelo espaço para propaganda eleitoral em Curitiba foi parar na Polícia Federal. Os candidatos à Câmara Municipal Ney Leprevost (PPB), Alexandre Khury (PFL), Fábio Camargo (PSC), Reinhold Stephanes Júnior (PFL) e Marcelo Almeida (PMDB) reuniram-se à meia-noite do feriado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (padroeira de Curitiba), na sede da Polícia Federal, para reclamarem uns dos outros. O clima na superintendência da Polícia Federal não foi amistoso entre os candidatos, todos filhos de famílias infleuntes.
Segundo Alexandre Khury, neto do deputado Aníbal Khury morto há um ano, os muros com propaganda do candidato e ex-secretário do Esporte e Turismo Ney Leprevost estão sendo alvo de pichações com ofensas pessoais. Os meus só receberam tinta preta. Mas as pichações estão sendo constantes e achamos que não é assim que se faz política. De qualquer forma, foi uma reunião amigável. Só mesmo para pedir mais consideração, tentou minimizar.
Na noite de anteontem, Ney Leprevost suspeitava que cabos eleitorais de Fábio Camargo estariam agindo nas madrugadas. Fábio Camargo é genro do conselheiro do Tribunal de Contas (TC), Rafael Iatauro. Uma kombi descaracterizada tem circulado pela cidade e estamos na pista dos autores dessa irresponsabilidade, declarou Leprevost por volta da meia-noite de anteontem.
A Folha tentou contato com Fábio Camargo ontem pela manhã, para ouvir sua versão sobre o caso, mas ele não foi localizado. Novo contato com Ney Leprevost também não foi posssível, porque seu celular estava desligado. A reportagem apurou que a Polícia Federal deteve jovens que conduziam a kombi. Ontem, entretanto, o plantão não soube informar se os rapazes tinham sido liberados ou não. Tanto Ney Leprevost quanto Alexandre Khury já apagaram as pichações em seus outdoors espalhados pela cidade.
Material de campanha de Marcelo Almeida, filho do empreiteiro-dono da CR Almeida Cecílio do Rêgo Almeida, e Reinhold Stephanes Júnior, filho do presidente do Banestado Reinhold Stephanes, também tem sido alvo de pichações. Dias atrás, Marcelo Almeida apresentou queixa num distrito de polícia, alegando que o seu material está sendo destruído por seus adversários. O filho de Reinhold Stephanes também tem alegado prejuízo a sua campanha eleitoral.
A Justiça Eleitoral não soube precisar se a reunião dos candidatos na Polícia Federal resultou em reclamação formal na esfera judicial. No cartório da 145ª Zona Eleitoral, a informação é de que são registradas inúmeras reclamações de proprietários de muros diariamente.
Os candidatos estariam pintando os muros com propaganda eleitoral sem autorização por escrito dos proprietários. A primeira providência que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) toma é exigir que o candidato pinte o muro novamente. Se isso não for feito, a decisão vai para o juiz eleitoral. Nos casos de pichação de propaganda regular, o caso pode evoluir para uma punição mais severa.


