Curitiba - O presidente do PT no Paraná e até o ano passado secretário de Estado do Planejamento, o deputado estadual Ênio Verri, afirmou ontem à imprensa que a briga entre o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), e o governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), é ''coisa de moleque''. ''Os dois podiam conversar mais pessoalmente, ao invés de brincar no Twitter'', declarou ele. A briga na internet começou porque o governador Requião não gostou da declaração do ministro petista à imprensa sobre a distribuição dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Paulo Bernardo sugeriu que o Paraná poderia ter obtido mais recursos do PAC se o governo do Estado tivesse outra postura.
Ontem pela manhã, na ''escolinha'', o governador Requião voltou a criticar o ministro do PT: ''O Paraná está sendo discriminado porque, segundo o Paulo Bernardo, o governador do Estado não vai lá se ajoelhar''. À tarde, na abertura dos trabalhos do Legislativo, novo ataque: ''Soube agora pelo Paulo Bernardo que o Paraná foi discriminado no PAC. Mas eu sempre achei que tínhamos um ministro do Paraná. Um tal de Paulo Bernardo. Ora, Paulinho, eu sou governador do Paraná, não sou moleque de vocês'', afirmou o peemedebista à imprensa.
O governador Requião também defendeu o uso do Twitter, espaço que tem utilizado diariamente. ''O Twitter tem que ser um instrumento de crítica. Não é uma brincadeira. Não é para dizer 'vou comer bolo', 'vou dormir', 'vou levantar'. Tem que ter algum conteúdo. E eu estou dando ao Twitter uma dimensão ideológica'', disse ele.
Para o deputado estadual Elton Welter (PT), também integrante da base de apoio no Legislativo, a briga é fruto ''da vaidade dos dois''. ''Eles precisam ser mais humildes. A dívida do Itaú (que deixa de lados opostos governo federal e governo estadual), por exemplo, é de ordem jurídica, não é mais de ordem política. A questão do pedágio. Por que o governador Requião também não conseguiu resolver?'', disse ele.
Para Welter, a briga não deve prejudicar as negociações eleitorais. ''No discurso sobre como deve funcionar o Estado, não há contradição entre PT e PMDB. Todos conhecem o estilo dele (do governador Requião). Mas ele continua sendo um parceiro importante na sucessão do Lula'', ameniza ele. (C.S.)

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