Irmãos deixam que disputa pessoal em Curitiba atinja PMDB e PDT
Arquivo FolhaRoberto: ponte para 2002Arquivo FolhaEduardo: candidato do PDTOs irmãos Eduardo (ex-vereador em Curitiba) e Roberto Requião (senador do PSDB) estão em guerra para ver quem cede espaço para o outro candidatar-se à Prefeitura de Curitiba. A briga até ontem silenciosa transcendeu a esfera familiar e agora movimenta o PDT e o PMDB, partidos nos quais os dois estão filiados respectivamente. Consciente de que o lançamento do irmão atrapalha seus planos, Eduardo tenta afastar Roberto da campanha. Anteontem, durante almoço com o PPB, Eduardo disse que Roberto não sai candidato a prefeito.
As declarações do irmão do senador Requião caíram como uma bomba no PMDB. Os deputados estaduais anunciaram ontem que Roberto Requião sai candidato a todo custo e que eles apóiam integralmente a candidatura do senador. ‘‘Nós desconhecemos essa pretensão do Eduardo. Temos consciência que da vitória do PMDB em Curitiba depende a retomada do Palácio Iguaçu em 2002’’, disse Nereu Moura, líder da bancada do PMDB. A direção estadual do partido também não deixou por menos. Distribuiu nota dizendo que o PMDB ‘‘não aceita imposições de aliados (no caso o PDT de Eduardo)’’. José Maria Correia, o secretário do PMDB classificou a atitude Eduardo de ‘‘pouco ética’’.
Na nota, Correia garante que Requião sai candidato. Sem citar nomes, o peemedebista classifica a atitude de oportunista. ‘‘Quem escala os nossos candidatos somos nós mesmos. Agradecemos as sugestões mas em nossa casa mandamos nós’’, afirma o comunicado. ‘‘Quem quiser discutir a candidatura do PMDB está convidado a se filiar ao partido’’, diz em tom de provocação a Eduardo, que já foi o secretário do Meio Ambiente durante a gestão do irmão frente ao governo, de 1991 a 1994.
O PDT está preocupado com os desdobramentos da briga dos Requião, que estariam rompidos desde a campanha de 1998 quando Eduardo e a equipe do senador desentenderam-se quanto à condução da campanha do PMDB ao governo. A Folha tentou contato com Nelton Friedrich, presidente estadual do PDT, mas seu celular estava desligado. O deputado Edgar Bueno, integrante da executiva, disse que o PDT, quando filiou Eduardo, tinha convicção de que Requião não sairia candidato, razão pela qual tem apostado no nome de Eduardo para a sucessão de Cassio Taniguchi (PFL). Pessoalmente, o deputado acha que o PDT terá de rever posição se Requião manifestar publicamente disposição em concorrer. (L.D.)

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