Briga de líderes expõe interesses
A reforma do Judiciário divide os partidos da base de sustentação ao governo. O PFL, partido de ACM, defende o relatório do deputado tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) e apóia a extinção do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e dos 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) que atuam no País. Já o PMDB de Temer, apesar de ser favorável à extinção dos juízes classistas, é radicalmente contra o fim da atual estrutura da Justiça do Trabalho.
Na semana passada, Temer chegou a convocar a imprensa para afirmar que teria ‘‘fechado um acordo’’ com o relator. Estaria decidido o fim de pelo menos 6 dos 24 TRTs, o TST seria extinto e uma câmara especial ficaria em seu lugar. Aloysio e os sub-relatores da comissão negaram o acordo. No dia seguinte, Temer evitou falar sobre o mérito da reforma e limitou-se a definir que a proposta seria votada na Casa até o fim do mês.
Irritado, ACM acusou Temer de corporativista, invejoso e despeitado. ‘‘Ele fez aquela nota só para dizer que é professor de Direito, o que muita gente vai tomar conhecimento a partir de hoje’’, disse. ‘‘Eu, como curioso, nunca vi nenhum livro dele ou soube de algum aluno importante.’’ O senador baiano também fez insinuações sobre a moralidade de Temer, referindo-se à ‘‘luta do deputado pelo Porto de Santos’’.
Temer indicou um ex-dirigente do porto, que foi envolvido em irregularidades tempos depois de assumir. ‘‘Mas isso são detalhes que, posteriormente’’, vou tratar com ele vis à vis (cara a cara)’’, disse. ACM também acusou Temer de emperrar a votação de propostas importantes por ser dono de um escritório de advocacia. Segundo o senador, uma dessas propostas seria o Código Civil, que tramita na Câmara há quase dois anos, e também o efeito vinculante, projetos que não andam ‘‘por causa do corporativismo dos advogados e para atender os juízes de primeira instância’’.
Michel Temer assumirá a Presidência da República hoje, por cerca de dez horas, enquanto FHC vai ao Paraguai, para uma reunião do Mercosul.

mockup