Bresser defende congelamento salarial
Ministro da Administração e Reforma do Estado diz que os salários do funcionalismo são os melhores desde Collor
Agência Estado

Arquivo Folha
Em causa própriaBresser Pereira:‘‘ Estamos corrigindo as distorções, mas a indexação, graças a Deus, acabou’’O ministro da Administração e Reforma do Estado, Luís Carlos Bresser Pereira, garantiu ontem, em Brasília, que o funcionalismo público federal está num nível salarial bem melhor do que no governo Fernando Collor de Mello. ‘‘Os salários estão muito acima dos níveis do governo Collor, quase o dobro’’, afirmou, para justificar o congelamento dos salários da maioria dos servidores, durante os últimos dois anos.
Bresser Pereira disse que a política salarial do governo privilegia aumentos por produtividade e apenas para os setores que, segundo ele, apresentam distorções.
‘‘Estamos corrigindo essas distorções nos setores que estão claramente abaixo do nível salarial correto, mas a indexação, graças a Deus, acabou’’, afirmou o ministro. Bresser Pereira participou ontem do último dia do 10º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), coordenado pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso. O tema de ontem era Cidadania, Desigualdade e Pobreza. Na palestra, o ministro defendeu a adoção de um programa de renda mínima, nos moldes do que existe em Campinas, no interior de São Paulo, e em Brasília - nos quais a família recebe diretamente a verba do governo.
Para Bresser Pereira, a vantagem do sistema é eliminar os intermediários, diminuindo a burocracia e deixando o beneficiário livre para usar os recursos. Ele sugeriu que a rede de municípios nos quais atua o Comunidade Solidária seja incorporada ao programa. ‘‘Para funcionar, o programa precisa da participação do município na garantia da renda mínima, mas, no caso daqueles atendidos pelo Comunidade, que são os mais pobres do País, penso que seria necessária a ajuda do governo federal’’, apontou.
O ministro não quis falar sobre o reajuste dos professores das universidades federais, que estão em greve. Mas lembrou que, nos EUA, o custo anual por aluno de universidade é de US$ 15 mil, o mesmo valor que nas instituições federais brasileiras. Só que o salário do professor é o dobro do daqui. Segundo Bresser Pereira, a solução só virá com a autonomia universitária proposta pelo Ministério da Educação. ‘‘Enquanto o professor universitário for um funcionário público, o que é absurdo, não acontecerá essa autonomia’’, disse.
Bresser Pereira defendeu também a adoção de um sistema de saúde público, mas descentralizado, e o incentivo às polícias municipais. Além do ministro, falaram sobre o tema, entre outros, os ex-ministros Marcílio Marques Moreira e Dorothéa Werneck, o historiador José Murilo de Carvalho e o coordenador do Movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes.

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