BRASÍLIA - O ministro da Administração, professor Luiz Carlos Bresser Pereira, reuniu 110 alunos na semana passada para fazer o que mais gosta: difundir seus conceitos sobre o novo rumo da administração pública, suas demandas e os planos traçados na reforma do Estado para transformar sua tradição burocrática no que ele chama de administração gerencial. ‘‘Nosso grande desafio é ter um Estado forte, com capacidade de governança e governabilidade’’, pregou.
Os conceitos de Bresser ainda são desconhecidos pela
maioria dos servidores públicos. Mas já têm sua caixa de ressonância: a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), cuja razão de existir é a formação da elite administrativa do setor público.
A aula do ministro foi dirigida à terceira turma da Enap
para formação de especialistas em políticas públicas e gestão governamental e é um exemplo das diretrizes atuais da nossa escola de governo. O servidor que passa por ali recebe instruções sobre o modelo gerencial de administração pública, uma forma de gestão de resultados, ou a noção do ‘‘Estado eficiente’’.
O governo, porém, tem uma radiografia ainda precária das necessidades de algumas áreas para que o setor público cumpra bem o seu papel. Sempre foram evidentes as carências de bons atendentes públicos no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e, com a informatização, o governo depende cada vez mais de servidores experientes em informática. Esse público é alvo da Enap. Mas a escola ainda ocupa um espaço tímido quando se trata da formação de especialistas em funções exclusivas do Estado.
Nos últimos dois anos, a Enap atuou, principalmente, na qualificação de funcionários de setores intermediários do governo. Em cursos rápidos de duração média de uma semana, a escola faz reciclagem de pessoal nas áreas de recursos humanos, gerenciamento, legislação e orçamento, informação e informática e instrumentos de gestão estratégica.

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