Brecha na lei permite pré-campanha
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de junho de 1998
Patrícia Zanin 
Amparados pelo artigo 58 da resolução 20.106, que dispõe sobre propaganda para a campanha deste ano, pré-candidatos têm divulgado livremente seus nomes pelas ruas das cidades. Pelo artigo, não caracteriza crime a manifestação individual e silenciosa da preferência do cidadão por partido, coligação ou candidato, incluída a que se contenha no próprio vestuário ou se expresse no porte de bandeira ou flâmula ou pela utilização de adesivos em veículos ou objetos de que tenha posse.
Os pré-candidatos aproveitam essa facilidade da lei para emplacarem seus nomes através de adesivos. Carros com colantes de candidatos se multiplicam pelas ruas. Estou com Farage; Paulo Bernardo: esse é federal, Nampo 98, Alex e Belinati, Félix Ribeiro 98, Ademar Vedoato, Ueno são apenas algumas amostras do que se vê por aí de candidaturas a deputado federal e estadual. Bonés também já têm feito a cabeça de simpatizantes e futuros eleitores.
O fato de estar avalizado legalmente na divulgação de nomes acaba antecipando a propaganda que, pela lei eleitoral, só começa no dia 6 de julho. Coordenadores de campanha e colaboradores de pré-candidatos juram que não são eles que têm estimulado a disseminação dos adesivos. São simpatizantes e amigos que providenciam e divulgam, diz Marcos de Freitas, coordenador da campanha de Alex Canziani (PTB) a deputado federal. Somos um grupo de amigos e colaboradores que resolveu incentivar a candidatura dele, diz Oscar Bordin, amigo e colaborador de Farage Kouri (PFL), também pré-candidato a federal.
Mas existe efeito real nessa divulgação antecipada de nomes? Marcos de Freitas acha que não. É claro que é bom saber que as pessoas estão envolvidas, mas nesse momento as atenções não estão voltadas às candidaturas e sim a Copa do Mundo, analisa. Acho que mais do que levar o nome, este tipo de apoio serve para motivar o candidato porque a divulgação mesmo será feita na campanha, nos comícios, horário eleitoral, reuniões, diz Bordin.
O coordenador da campanha do deputado federal Paulo Bernardo (PT) discorda. Para Edgar Isernhagen, os adesivos funcionam para massificar o nome do candidato. Aí quando a pessoa futuramente receber um santinho, lembra que já viu esse nome, analisa.
Apesar do número de colantes estar aumentando, as empresas de Londrina que confeccionam brindes ainda não sentiram o efeito dessa ampliação. Por enquanto, os candidatos estão apenas fazendo cotações, diz Renato Viana, gerente da Seribrindes. Tudo ainda está bem devagar, confirma Célio Silva Cesário, dono da Screen Shopping. A política é um bom filão, mas as coisas ainda estão lentas, diz Silas Ruiz, dono da Silas Brindes.
A exceção fica por conta de Eduardo Fujimoto, dono da Multibrindes, que fez 3 mil adesivos para dois candidatos de Umuarama. Ainda assim, depois disso só fiz cotações. Acredito que o pessoal está deixando mais para o final, quando vai sobrar trabalho para todo mundo, aposta.


