Amparados pelo artigo 58 da resolução 20.106, que dispõe sobre propaganda para a campanha deste ano, pré-candidatos têm divulgado livremente seus nomes pelas ruas das cidades. Pelo artigo, não caracteriza crime a ‘‘manifestação individual e silenciosa da preferência do cidadão por partido, coligação ou candidato, incluída a que se contenha no próprio vestuário ou se expresse no porte de bandeira ou flâmula ou pela utilização de adesivos em veículos ou objetos de que tenha posse’’.
Os pré-candidatos aproveitam essa facilidade da lei para ‘emplacarem’ seus nomes através de adesivos. Carros com colantes de candidatos se multiplicam pelas ruas. ‘‘Estou com Farage’’; ‘‘Paulo Bernardo: esse é federal’’, ‘‘Nampo 98’’, ‘‘Alex e Belinati’’, ‘‘Félix Ribeiro 98’’, ‘‘Ademar Vedoato’’, ‘‘Ueno’’ são apenas algumas amostras do que se vê por aí de candidaturas a deputado federal e estadual. Bonés também já têm ‘feito’ a cabeça de simpatizantes e futuros eleitores.
O fato de estar avalizado legalmente na divulgação de nomes acaba antecipando a propaganda que, pela lei eleitoral, só começa no dia 6 de julho. Coordenadores de campanha e colaboradores de pré-candidatos juram que não são eles que têm estimulado a disseminação dos adesivos. ‘‘São simpatizantes e amigos que providenciam e divulgam’’, diz Marcos de Freitas, coordenador da campanha de Alex Canziani (PTB) a deputado federal. ‘‘Somos um grupo de amigos e colaboradores que resolveu incentivar a candidatura dele’’, diz Oscar Bordin, amigo e colaborador de Farage Kouri (PFL), também pré-candidato a federal.
Mas existe efeito real nessa divulgação antecipada de nomes? Marcos de Freitas acha que não. ‘‘É claro que é bom saber que as pessoas estão envolvidas, mas nesse momento as atenções não estão voltadas às candidaturas e sim a Copa do Mundo’’, analisa. ‘‘Acho que mais do que levar o nome, este tipo de apoio serve para motivar o candidato porque a divulgação mesmo será feita na campanha, nos comícios, horário eleitoral, reuniões’’, diz Bordin.
O coordenador da campanha do deputado federal Paulo Bernardo (PT) discorda. Para Edgar Isernhagen, os adesivos funcionam para massificar o nome do candidato. ‘‘Aí quando a pessoa futuramente receber um santinho, lembra que já viu esse nome’’, analisa.
Apesar do número de colantes estar aumentando, as empresas de Londrina que confeccionam brindes ainda não sentiram o efeito dessa ampliação. ‘‘Por enquanto, os candidatos estão apenas fazendo cotações’’, diz Renato Viana, gerente da Seribrindes. ‘‘Tudo ainda está bem devagar’’, confirma Célio Silva Cesário, dono da Screen Shopping. ‘‘A política é um bom filão, mas as coisas ainda estão lentas’’, diz Silas Ruiz, dono da Silas Brindes.
A exceção fica por conta de Eduardo Fujimoto, dono da Multibrindes, que fez 3 mil adesivos para dois candidatos de Umuarama. ‘‘Ainda assim, depois disso só fiz cotações. Acredito que o pessoal está deixando mais para o final, quando vai sobrar trabalho para todo mundo’’, aposta.

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