O presidente do instituto de pesquisas Brasmarket, Ronald Kuntz, confirmou ontem aos promotores do Ministério Público (MP) de São Paulo que sua empresa prestou serviços ao comitê do PFL durante a campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. Kuntz foi ouvido a pedido dos promotores paranaenses, que queriam explicações sobre uma verba de R$ 104 mil paga ao Brasmarket e que não foi declarada na prestação de contas oficial do PFL à Justiça Eleitoral.

Segundo Kuntz, o Brasmarket teria sido contratado para realizar pesquisas eleitorais a um custo total de R$ 170 mil. Ele afirmou que recebeu apenas metade deste valor, em duas parcelas de R$ 42 mil, pagas em setembro. Um pagamento extra de R$ 20 mil em fevereiro deste ano também teria sido confirmado pelo gerente comercial da Brasmarket, Arthur Alvares Cruz Neto.

Kuntz afirmou ainda que os pagamentos foram realizados pelo ex-secretário estadual de Comunicação Social, David Campos, e pelo coordenador da campanha de Cassio, Mário Lopes Filho. Kuntz disse que os pagamentos foram realizados em dinheiro vivo, e garantiu ter notas fiscais que comprovam a transação.

Campos confirmou ter trabalhado na campanha, mas negou ter intermediado a negociação.''Desconheço a contratação desta empresa. Meu trabalho restringia-se a parte de comunicação da campanha, e eu não lidava com a parte financeira'', explicou o ex-secretário. Ele disse que vai solicitar ao Ministério Público cópia do depoimento de Kuntz e que pretende processá-lo por calúnia e difamação.

As afirmações de Campos não batem com inscrições do livro-caixa entregue aos promotores pelo tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior. Segundo o livro, o ex-secretário teria recebido R$ 34,9 mil no dia 1º de agosto, para cobertura de despesas de campanha. O nome de David Campos também aparece em um recibo de R$ 65 mil que supostamente teria sido emitido no dia 29 de setembro do ano passado. A data é a mesma de um dos pagamentos realizados à Brasmarket.

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