Depois de seis anos, o processo que acusa a empresa Eletrojan, que pertenceu ao deputado federal José Janene (PPB), de superfaturamento na instalação de superpostes em avenidas de Foz do Iguaçu, está na Procuradoria-Geral da República em Brasília, nas mãos do vice-procurador-geral, Haroldo Ferraz da Nóbrega, aguardando uma avaliação final.
A denúncia voltou a ser discutida depois que o jornalista Amauri Escudero Martins registrou queixa na Polícia Federal de Londrina, dizendo ter recebido, na presença de testemunhas, ameaças de morte de Janene no Aeroporto de Londrina. Escudero foi um dos repórteres que cobriram e denunciaram o caso em Foz do Iguaçu em 1996, época em que o processo foi encaminhado ao Ministério Público da cidade.
Segundo o depoimento do jornalista, que hoje é assessor de Imprensa do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), o deputado ameaçou surrá-lo diariamente e disse que iria ‘‘sumir com ele’’. Ainda segundo a denúncia, os vereadores Roberto Scaff (PSDB) e o professor Jamil Hatti foram testemunhas da ameaça. Janene teria dito a Escudero: ‘‘Eu não esqueci o que você me fez em Foz do Iguaçu’’.
A denúncia do caso dos postes está condensada em dois inquéritos (1315-O e 1326-O), protocolados em 13 de agosto e 10 de outubro de 97, respectivamente. O processo começou em setembro de 1996, quando a licitação conquistada pela Eletrojan apresentava um valor em cruzeiros estimados atualmente em R$ 900 mil. Segundo informações contidas nos autos, o valor referente à compra e instalação de uma rede de iluminação pública na cidade, foi superfaturado em mais de 100%.
Na época, o promotor de Justiça Renan Gaberdo Fava multou os responsáveis pela Companhia de Desenvolvimento de Foz do Iguaçu (Codefi), empresa que contratou os trabalhos da Eletrojan. Fava também conseguiu a quebra de sigilo fiscal da empresa. Durante a ação foi encontrada uma falsa certidão da Receita Federal.
A denúncia resultou ainda na extinção da Codefi, além de provocar a impugnação da candidatura a deputado estadual de Dobrandino da Silva, que na época era prefeito de Foz.
O deputado federal José Janene também foi denunciado pelo Ministério Público (MP) de Londrina na ação de improbidade administrativa que envolve o prefeito Antonio Belinati (PFL) e mais 11 pessoas. A denúncia foi motivada pelas irregularidades na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), investigadas há mais de um ano pelo MP.
O juiz da 8ª Vara Cível de Londrina determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal, além da indisponibilidade dos bens de todos os denunciados na ação. Belinati foi afastado do cargo de prefeito por 90 dias. José Janene reagiu à denúncia, dizendo que a ação do MP foi ‘‘canalha’’. O deputado integra a comitiva paranaense que viajou à França para acompanhar a emissão do certificado internacional declarando o Paraná como área livre da febre Aftosa, com vacinação.

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