São Paulo - O brasileiro tem memória curta? Pesquisa que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) acaba de concluir confirma o famoso bordão: passados três meses das eleições de 2002, apenas 47% dos eleitores mencionaram o nome correto dos candidatos nos quais teriam votado. Pior: 28% dos brasileiros não lembravam sequer em que deputado federal votaram em 2002 e 71% esqueceram em quem votaram, para esse mesmo cargo, em 1998.
Para o cientista político Alberto Carlos Almeida, que coordenou a pesquisa FGV/Opinião, esse comportamento do brasileiro decorre do sistema eleitoral que oferta aos eleitores um número imenso de candidatos, sem que estes tenham, ao contrário do que acontece em outros países, vínculos distritais ou pertençam a listas partidárias encabeçadas pelo candidato à Presidência. Segundo Almeida, esse regime eleitoral acaba favorecendo os maus políticos, pois ''cada eleição vira uma estréia de um candidato''.
E quem pensa que os deputados federais ficariam chocados com esse resultado, outra surpresa: o assunto é tratado no Congresso com absoluta tranquilidade. ''A população cobra muito dos deputados, mas quando você pergunta em quem a pessoa votou, dificilmente alguém sabe'', confirma o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães (BA).
Segundo ele, a reforma política é a solução para o número excessivo de candidatos. Jutahy disse que o PSDB tentou incluir essa discussão na pauta da convocação extraordinária, mas não obteve o apoio da base governista. Para ele, a adoção do voto distrital misto e as listas fechadas de candidatos a cargos eleitorais seriam a ''saída'' mais fácil para manter o eleitor mais atento aos nomes em que votou.
O líder do PDT no Senado, Jefferson Péres (AM), acredita que ninguém esqueceria um deputado eleito pelo distrito, até para cobrar as promessas de campanha. Já os senadores Ney Suassuna (PB) e Romero Jucá (RR), ambos do PMDB, acreditam que o esquecimento ocorre com mais facilidade nas cidades maiores, onde as disputas às vezes são menos acirradas. ''No Nordeste, onde todos estão ligados à política, a lembrança é maior'', diz Suassuna, que se orgulha de ser conhecido na região.

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