Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar neste domingo (4) em uma eleição marcada, sobretudo, pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Para analistas ouvidos pela FOLHA, o pleito ainda traz reflexos do que ocorreu há quatro anos, quando o petista venceu Jair Bolsonaro (PL) na disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização.

Apesar de Lula e Flávio concentrarem os holofotes, a disputa chega ao primeiro turno com 12 candidaturas ativas à Presidência. Além dos dois, concorrem Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata).

Leonardo Avalanche (PRTB), que havia assumido a candidatura após o indeferimento do registro de Pablo Marçal, anunciou a desistência na quarta-feira (30).

Na avaliação dos especialistas ouvidos pela reportagem, a mobilização do eleitorado, a abstenção e a busca pelo chamado voto útil ganham importância nesta reta final, em meio à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Elve Cenci, a polarização permanece porque os principais atores do pleito de quatro anos atrás continuam na disputa. “É como se 2022 não tivesse acabado. De um lado, Lula; do outro, o bolsonarismo, representado por Flávio Bolsonaro. A derrota de 2022 não foi digerida”, afirma.

Se, por um lado, Lula tem incentivado a participação dos eleitores, buscando reduzir a abstenção, por outro, Flávio procura atrair o voto útil de eleitores de outros candidatos identificados com a direita. As duas estratégias têm marcado a reta final das campanhas.

“As sondagens dos últimos dias já mostraram a migração de votos dos candidatos de direita para Flávio Bolsonaro. Romeu Zema já perdeu força. Caiado também. Cury, por seu turno, perdeu grande parte dos votos conquistados após o primeiro debate. Portanto, chegamos à eleição com apenas dois candidatos disputando efetivamente. O maior desafio será convencer o eleitor cético a sair de casa para votar. O ambiente da campanha não entusiasmou. Foi muito mais uma campanha baseada no ódio do que no entusiasmo”, frisou Cenci.

Na avaliação do professor, Flávio Bolsonaro também teria mais espaço para buscar apoios em um eventual segundo turno contra Lula. “Lula está sozinho à esquerda.”

O advogado Nilso Paulo da Silva, especialista em direito eleitoral, pontua que a polarização é comum nas disputas eleitorais e que, neste ano, ainda reflete o cenário de 2022, em uma avaliação semelhante à de Cenci.

“A polarização está muito mais em torno dos nomes e também próxima de pseudoideologias. Na verdade, o que acaba predominando é a torcida dos eleitores pelo nome que eles acreditam que possa defender melhor seu pensamento e seus conceitos”, destacou.

Silva ressalta que a abstenção é um comportamento mais difícil de interpretar, por envolver também pessoas que demonstram pouco interesse pelo processo eleitoral. Já o movimento do voto útil é mais claro e, na avaliação dele, pode ter maior peso no resultado de domingo.

“O voto útil também não tem um lado já definido. Ele tem, na verdade, uma situação de rejeição antes de se tornar efetivamente o voto de decisão. Eu acho que o voto útil, por conta de uma situação já de interesse no processo eleitoral, possa trazer um pouco mais de peso comparando com a abstenção”, completou.

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