Brasileiro disputa comando da FAO
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de janeiro de 2011
Lisandra Paraguassú<br>Agência Estado 
Brasília - A primeira batalha diplomática do governo Dilma Rousseff será aberta, oficialmente, amanhã. Depois de protocolar a candidatura do ex-ministro José Graziano à direção-geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) na sexta-feira, a briga pelo cargo estará aberta. Questão de honra para o País, a campanha de Graziano deixa de lado o tom diplomático e critica abertamente a possível candidatura de um europeu, antecipando o que deve ser a maior disputa pelo cargo.
O principal rival do ex-ministro brasileiro deverá ser Miguel Ángel Moratinos, ex-chanceler espanhol. Apesar de as candidaturas só serem confirmadas na primeira semana de fevereiro, Moratinos já declarou que é candidato. A munição brasileira será esta: como um representante da região que mais investe em subsídios para o setor agrícola pode querer dirigir um órgão que tem como meta promover a agricultura dos países mais pobres? O fim dos subsídios para setores agrícolas de exportação tem sido uma das maiores batalhas da FAO. O atual diretor-geral, o senegalês Jacques Diouf, é abertamente crítico, responsabilizando os europeus pela dificuldade de os países mais pobres desenvolverem sua agricultura e encontrarem mercado para seus produtos. Em 2010, os europeus gastaram quase 40 bilhões de euros apenas em subsídios.
A campanha brasileira mira diretamente os países do hemisfério sul. Já obteve apoio oficial do Mercosul e da Unasul - os grupos que representam a América do Sul - e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que inclui Portugal, Timor Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Na semana que vem, Graziano vai à África, durante a Cúpula das Nações Africanas, angariar votos. Também deve garimpar mais adesões, com a presidente Dilma Rousseff, durante o encontro América do Sul-Países Árabes (Aspa) em Lima (Peru) em fevereiro. Tem ainda a simpatia de caribenhos e outros latino-americanos, incomodados com a possibilidade de um europeu assumir o cargo.
A avaliação do Itamaraty é que as chances de Graziano - responsável pela criação do programa Fome Zero no primeiro mandato de Lula - são muito boas. A eleição é feita em rodadas sucessivas, em que o menos votado é eliminado. A expectativa é que Graziano chegue à rodada final da eleição e obtenha cerca de 75 votos, pouco mais da metade dos que devem estar presentes na eleição, em junho em Roma.


