Brasil vai importar milho transgênico
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de março de 2005
Gustavo Porto<br>Agência Estado 
Ribeirão Preto - O Brasil terá de importar até 5 milhões de toneladas de milho neste ano para suprir demanda interna pelo grão e boa parte dessa oferta deve vir da Argentina, afirmou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Na Argentina, o cultivo é basicamente da variedade transgênica Bt. De acordo com ele, o motivo para a importação é a quebra dramática de safra provocada pela seca na região sul do País.
Para Rodrigues, a produção brasileira de milho, estimada em mais de 45 milhões de toneladas, deve ficar entre 37 milhões e 38 milhões de toneladas. Temos um estoque de 5 milhões de toneladas da safra passada, mas a demanda é muito grande, principalmente no Sul do País, disse o ministro, que fez palestra em um evento da Associação Brasileira do Agribusiness de Ribeirão Preto (Abag-RP).
Rodrigues lembrou que a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei da Biossegurança, que deve ocorrer até amanhã, caracteriza a abertura para a importação de produtos transgênicos, evidentemente dentro de uma regulamentação a ser estabelecida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) pediu ao Ministério da Agricultura e à CTNBio a liberação para importar o milho transgênico argentino. Desde 2003 o Brasil não importa milho da Argentina e, se a demanda dos gaúchos for atendida, ela não será inédita. Em abril de 2003, avicultores pernambucanos conseguiram, na Justiça a importação de 17,9 mil toneladas de milho transgênico da Argentina sob a mesma alegação.
Rodrigues disse que a decisão de se liberar o cultivo da variedade transgênica de algodão Bollgard, da multinacional norte-americana Monsanto, foi da ciência. Apesar de afirmar que não gostaria de se pronunciar sobre o assunto, Rodrigues disse que seu ministério não teve a menor participação em relação à decisão pela liberação do cultivo da variedade, tomada pela CTNBio. Foi uma decisão da ciência e, como a CTNBio, é um organismo de caráter científico eu não vou me manifestar, disse o ministro.Considero que os cientistas não tomariam uma decisão que fosse trazer algum problema para o País.


