Brasil tem casos mais graves, diz diretor da ONU
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - O subsecretário-geral da ONU e diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antônio Maria Costa, disse ontem que o Brasil tem casos de corrupção ''mais graves'' para resolver do que as denúncias sobre pagamento de mesada a parlamentares pelo PT. ''O Brasil tem muitos problemas muito mais graves, como corrupção no Judiciário, na polícia ou em níveis municipais e estaduais'', disse o italiano, que representa o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, em Brasília.
Costa minimizou a crise política atual, dizendo que ''crises são muito saudáveis quando podem ser remediadas'' e que o Brasil tem todas as condições de combater a corrupção porque ''é um país moderno que fala de seus problemas''. Ele brincou ao comentar a pertinência do fórum no Brasil no momento em que denúncias ameaçam a governabilidade, o que chamou de ''boa sinergia''. ''Por isso resolvi falar das alegações de corrupção (no discurso durante a abertura do fórum)''. A crise política se agravou desde a publicação, segunda-feira, da entrevista do presidente do PTB, Roberto Jefferson, que relatou que o PT pagava de mesada a deputados em troca de apoio ao governo.
O subsecretário-geral elogiou o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura do fórum, e disse perceber, pela fala do presidente e pelas conversas que manteve com ministros, que a luta contra a corrupção parece ser uma questão importante para o governo brasileiro.
Costa fez ainda um elogio à imprensa, pela tenacidade com que investiga e publica casos de corrupção. Afirmou, entretanto, que os jornais precisam ''trocar de marcha'' e, ao invés de apenas acusar, contribuir para um debate que leve a medidas profundas contra a corrupção.
Em um painel sobre financiamento político, uma prática tradicional do PT foi criticada por especialistas internacionais em combate à corrupção. A contribuição obrigatória dos filiados, quando se tratam de pessoas com cargos comissionados no governo, é vista com reservas pelos palestrantes, que discutiam abuso dos recursos do Estado pelos partidos no governo.
Segundo Marcin Walecki, assessor de finanças públicas do IFES, centro de ajuda para democracia e governança para países em transição baseado nos EUA, as taxas partidárias são uma forma comum de transferência de dinheiro para os caixas dos partidos. Walecki disse que uma das formas de combater o problema é diminuir o número de cargos comissionados, por meio de concursos públicos. Outros expositores citaram o exemplo de estados norte-americanos, que proibiram a taxação de filiados lotados em cargos de comissão.


