Paulo San Martin
Especial para a Folha
De Campinas
O deputado Robson Tuma (PFL-SP) afirmou ontem, em Campinas, que o crime organizado utiliza o modelo do Cartel de Cali para se estruturar no Brasil. Os territórios e as áreas de atuação foram divididos, para evitar uma competição desgastante entre as quadrilhas. Tuma chegou a esta conclusão a partir das últimas investigações da CPI do Narcotráfico. ‘‘Trata-se de é um modelo sofisticado de organização, que pressupõe um comando central muito mais amplo do que estes que começamos a identificar na CPI’’, garante.
O Cartel de Cali é a mais importante organização do narcotráfico na América do Sul. De acordo com Tuma, sua estrutura é uma evolução no funcionamento do crime organizado no continente. ‘‘Antes, os grupos competiam entre si pelos mesmos territórios, perdiam muito dinheiro e muita gente em brigas intermináveis. O Cartel uniu as diferentes organizações’’, diz. O resultado é uma estrutura mais forte e eficiente, inclusive para penetrar no aparelho de estado. ‘‘Seu poder de fogo e de corrupção aumenta muito’’, afirma.
Para o deputado, a identificação desta mega-estrutura organizada no Brasil é ‘‘surpreendente e preocupante’’. ‘‘Isso não acontece por acaso. Exige um comando nacional, capaz de manter a ordem na estrutura’’, explica. As investigações da CPI ainda não conseguiram identificar os responsáveis por este comado. ‘‘Mas já sabemos que ele existe e tem um poder financeiro e de ação cuja força nem suspeitávamos que existisse no Brasil’’, conclui.
Pelo menos seis policiais civis supostamente envolvidos com esquema de roubo de cargas em Campinas estão com sigilo fiscal quebrado por determinação judicial. A medida foi tomada por requisição do Ministério Público Estadual que há três anos investiga as ramificações do crime organizado na região. Campinas é apontada pela CPI do Narcotráfico como o centro logístico e financeiro de uma superquadrilha comandada por deputados estaduais do Maranhão e do Acre, com a participação de deputados federais, empresários, comerciantes e policiais corruptos. Colaborou A.E.)

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