Brasil quer repatriar US$ 28 mi desviados
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Jamil Chade,correspondente<BR>Agência Estado 
Genebra - O governo tentará hoje obter um sinal verde da Suíça para repatriar aos cofres públicos mais de US$ 28 milhões que haviam sido desviados pelos fiscais de renda do Rio de Janeiro durante a gestão do ex-governador Anthony Garotinho, em esquemas de corrupção montados há dez anos. O ministro da Justiça, Tarso Genro, levará o assunto a um encontro com a ministra da Justiça da Suíça, Eveline Widmer-Schlumpf. O Brasil quer o dinheiro nos cofres públicos já no início de 2010 e acredita que os obstáculos agora sejam apenas de procedimento.
Oficialmente, Tarso Genro faz uma visita de três dias a Suíça para fortalecer a cooperação bilateral na matéria de combate ao crime organizado. Mas o objetivo não declarado da viagem é outro: o propinoduto. Tarso desembarcou acompanhado pelo secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, e pelo chefe da Assessoria Internacional do Ministério, Oswaldo Portela.
O caso do ''propinoduto'' foi descoberto em julho de 2002, quando o Discount Bank & Trust Cie (DBTC) foi comprado pelo Union Bancaire Privee (UBP) em Genebra. Nas investigações internas feita pelos novos proprietários do banco, um caso chamou a atenção: a diferença dos salários declarados por cidadãos brasileiros e o volume de dinheiro que entrava em suas contas todos os meses por meio do escritório do Discount Bank no Rio. As investigações acabaram revelando que se tratava das contas de fiscais de renda do Rio de Janeiro.
O esquema no Rio envolveu o envio desse dinheiro entre o Brasil e bancos na Suíça entre 1999 e 2000 por quatro fiscais de renda do governo e quatro auditores da Receita Federal. Entre os envolvidos estava o ex-subsecretário de Administração Tributária do Rio na gestão de Garotinho (PSB), Rodrigo Silveirinha, que teria enviado US$ 8,9 milhões para a Suíça.


