Como o Brasil não controla o cenário externo, o desafio do próximo governo é melhorar a competitividade dos produtos brasileiros, negociar a redução de barreiras e atrair mais empresas para o mercado externo. A Agência Estado ouviu empresários e traders para saber o que sugerem para que o próximo governo consiga aumentar as exportações.
''É preciso fazer uma revolução voltada para o mercado externo. É geral a consciência de que as exportações são prioridade número 1. É a maneira mais rápida para despertar marasmo da economia que vivemos no Brasil'', diz Luiz Fernando Furlan, presidente da Sadia e vice-presidente da Fiesp, a mais importante entidade empresarial do País. Para começar, afirma, é preciso que o setor privado tenha maior participação na formulação de políticas industriais e comerciais. ''Hoje, a classe empresarial parece não ser bem-vinda a opinar'', reclama.
Benedicto Fonseca Moreira, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), vai além. ''Não há política de produção, de incorporação de tecnologia e de qualidade. O Estado olha o setor privado com desconfiança e o pune com tributos'', completou. Furlan lembra que houve avanços com a criação da Camex (Câmara de Comércio Exterior) e do Gecex (Câmara de Gestão de Comércio Exterior), mas a tentativa de se criar uma câmara empresarial não vingou.
Já como medida prática, o presidente da Sadia diz que o primeiro passo a ser dado é melhorar a imagem do Brasil no Exterior. ''Exceto pelo futebol, somos vistos de forma negativa no Exterior. A mídia estrangeira destaca meninos de rua, prostituição, devastação florestal. Há países em condições sociais ainda piores, mas cujos produtos para exportação têm imagem melhor. É claro que financiamento de desburocratização são importantes para alavancar as exportações, mas imagem conta muito'', observa.
O trabalho de fortalecer a imagem positiva do Brasil tem que ser priorizado, diz Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). ''Tudo o que é de bom tem que ser capitalizado, promovido. A imagem brasileira de competência tem que ser construída a partir de coisas que o País tem de maravilhoso'', afirma.
Falando em nome do Movimento Brasil Competitivo, o presidente da Ford no Brasil, Antônio Maciel Neto, defende que o papel do estado seja o de financiar o trabalho de criar a Marca Brasil, que inclui promoção, design e credibilidade -este último ponto inclui qualidade, custo competitivo e pontualidade na entrega. ''É dessa forma que o Brasil vai conseguir convencer o lojista a comprar seus produtos e desbancar os concorrentes, mesmo com a desaceleração econômica'', conclui.

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