Genebra - O Brasil está disposto a esperar três ou quatro anos para obter um melhor acordo do que o negociado atualmente na OMC para a liberalização do comércio mundial, assegurou ontem o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Amorim considerou que um fracasso da reunião ministerial que será iniciada amanhã, na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, adiaria a conclusão de um acordo de livre comércio em três ou quatro anos.
''Se esperarmos, obteremos um acordo melhor que este'', disse o ministro brasileiro em uma entrevista coletiva à imprensa na cidade suíça.
Já o diretor da OMC e organizador da reunião que será aberta amanhã, Pascal Lamy, depositou suas esperanças em uma conclusão ainda neste ano da Rodada de negociações lançada em 2001, na capital Catari.
''A opinião pública muda em nosso favor'', explicou o ministro brasileiro, ao se referir aos subsídios agrícolas dos países ricos, que aumentam os preços mundiais e prejudicam os agricultores dos países em desenvolvimento.
Amorim, que desde o início das negociações desempenha o papel de porta-voz das nações emergentes, acusou os países desenvolvidos de não abrir suficientemente seu setor agrícola e de exigir muitas mudanças aos países do Sul. ''Não se pode tirar o máximo dos mais fracos e dar somente o mínimo em troca'', considerou o chanceler brasileiro.
A reunião de amanhã, em Genebra, da qual participarão os ministros de trinta países, está destinada a superar os principais divergências que bloqueiam a Rodada de Doha - os subsídios agrícolas e as tarifas alfandegárias sobre os produtos agrícolas e industriais -, para que se possa avançar para a conclusão de um acordo global antes do final do ano.
A chamada Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial já sofre um atraso de quatro anos em relação ao calendário previsto inicialmente.

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