Brasil pode desistir de vaga no Conselho
Brasil pode desistir de vaga no Conselho
Anúncio foi feito por Fernando Henrique, que diz preferir boas relações com a Argentina do que cadeira na ONU
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem, em palestra no encerramento do 5º Fórum Euro-Latino-Americano, em Lisboa, que está disposto a fazer concessões para manter a integração regional e o bom entendimento com os vizinhos do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). O Brasil prefere uma boa relação com a Argentina a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), declarou o presidente, referindo-se à disposição dos diplomatas e militares brasileiros, que querem o Brasil lutando por um assento permanente com direito a voto nas Nações Unidas, posição também pleiteada pelos argentinos.
No discurso em que o presidente falou sobre a política externa brasileira, ele aproveitou para alertar sobre os riscos impostos pela globalização. Segundo o presidente, a globalização, como processo econômico, é um tanto perigoso. Ele lembrou que é verdade existir uma tendência unificadora e, em si mesma, de acordo com FHC, ela não é nem boa, nem má.
Não se pode pensar que os blocos não podem ter as suas visões sobre a melhor maneira de construirmos as nossas instituições e orientarmos as nossas políticas de tal maneira que nós guardemos a nossa capacidade humana e histórica de decidir e de, portanto, ter uma vontade política que se organize e que se manifeste, falou o presidente.
Ele defendeu a necessidade de avançar um tanto mais na institucionalização do Mercosul, não se esquecendo que dificuldades serão enfrentadas por causa da grande diferença entre os países integrantes do bloco. Segundo o presidente, o Brasil, que tem o maior mercado, tem de ter a responsabilidade política de tomar as iniciativas.
Em seguida, o presidente descartou a possibilidade de criação de uma moeda única no Mercosul, como sugeriu o presidente argentino Carlos Menem, classificando a idéia como quixotesca. Eu sei que falar nesse momento em moeda única é utópico, é uma coisa que está além do horizonte, do razoável, comentou, alegando entender a posição de Menem, que faz esse tipo sugestão com objetivo de apresentar caminhos para o futuro.





