Brasil On line (José Antonio Pedriali)
Brasil On line (José Antonio Pedriali)
O alarme disparou
Os aliados do Planalto reagiram com aflição a duas pesquisas de opinião divulgadas ontem pelos jornais O Estado de S. Paulo e Correio Braziliense. Os índices de aprovação de Fernando Henrique não estão em queda livre, mas chegaram a um ponto crítico. Ibope e Vox Populi mostram o recuo de FHC e o crescimento de Lula, estando o primeiro com oito pontos de vantagem sobre o segundo, de acordo com o Ibope, ou nove pontos, segundo o Vox Populi.
Os líderes tucanos, que há dias mostravam-se incomodados com algumas atitudes do governo - principalmente com a falta de atitudes - interpretaram as pesquisas como um sinal amarelo. Estão enganados: o alarmou disparou e, se não quiserem ver naufragar de vez sua canoa reeleitoral, FHC, tucanos, pefelistas, petebistas e outros aliados de contingência terão de pôr a mão na massa. E urgentemente, pois o tempo, que antes era aliado de Fernando Henrique diante da indecisão de seu principal aliado, Luís Inácio Lula da Silva, e dos problemas internos do PT e da inaptidão das oposições em formarem uma aliança, o tempo agora se apresenta como mais um adversário em potencial do presidente. Estamos em 22 de maio, faltando, portanto, 136 dias para as eleições.
Nesses 136 dias de corrida contra o tempo, o governo de Fernando Henrique terá de desafazer a imagem de lentidão e de insensibilidade que se tornou intensa nas últimas semanas em consequência, entre outros, de dois episódios de repercussão nacional e internacional - o incêndio em Roraima e a seca no Nordeste. Além da tibieza demonstrada nestes dois episódios, a popularidade do presidente vem sendo corroída gradativamente pela crise do emprego e por outros indicadores econômicos negativos.
E, ainda, Fernando Henrique cometeu a insensatez de chamar de vagabundos os que se aposentam antes dos 50 anos (categoria na qual se encontra, não na de vagabundos, naturalmente, mas dos aposentados precoces) e nem seu esclarecimento em rede nacional de rádio e televisão foi capaz de atenuar o impacto negativo de sua declaração. O diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, esclarece que a pesquisa foi feita logo em seguida a esse comentário, captando, portanto, a indignação de grande parte do eleitorado.
Fernando Henrique cai, Lula sobe e, o pior: num eventual confronto direto dos dois no segundo turno, o presidente - se o embate fosse hoje - venceria o petista por uma diferença de apenas sete pontos. Em dezembro do ano passado, e confrontando a mesma situação, FHC ganharia por 17 pontos. No frigir dos ovos, tal como estão as coisas, o temido - para FHC - segundo turno está se transformando em ameaça latente.
Os aliados acreditam que, com os incidentes ocorridos quarta-feira em Brasília, a próxima pesquisa irá trazer resultados mais favoráveis para FHC. Pode ser. Mas não será apenas um embate físico entre sindicalistas e policiais militares que irá reverter o descontentamento popular, que é crescente. FHC acusa Lula de não ter projeto de governo. É verdade. Se tem, ninguém conhece. Mas o projeto de governo de FHC, baseado na estabilidade do Real, esgotou-se.
Delfim Netto já deve estar saturado de tanto ouvir repetirem sua frase, mas o poste - aquele que poderia vencer FHC desde que não tivesse nome - está adquirindo forma humana. E, para contradizer Delfim, tem nome e chama-se Lula.





