O todo-poderoso senador baiano e presidente do Congresso Antônio Carlos Magalhães (PFL) jamais será o mesmo após a morte prematura de seu filho Luís Eduardo, mas devemos nos precaver diante dos inúmeros comentários, feitos durante os momentos dolorosos do velório do ex-líder do governo na Câmara, de que sua carreira política está irremediavelmente comprometida. Ou que talvez tenha sido sepultada junto com o corpo do filho tão dileto. Não podemos subestimá-lo. ACM, além da astúcia e da arte de fazer política que domina como poucos na história republicana nacional, é um líder que já deu mostras de que possui energia de sobra para ressurgir dos escombros triunfante e ainda mais poderoso.
Impossível não se comover diante das imagens de ACM, inconsolável e desesperado, ao lado do corpo do filho. Seu drama pessoal não tem limites. E só alguém que já passou por tamanha tragédia é capaz de imaginar a extensão de tal sofrimento. Alguém como o senador gaúcho Pedro Simon (PMDB), adversário histórico de ACM e protagonista de debates contumazes na tribuna do Senado com seu colega baiano. Simon perdeu o filho Matheus, de 10 anos, primeira de uma série de tragédias, incluindo a morte da esposa, que abalariam sua vida.
Pois a morte de Luís Eduardo aproximou os dois, e Simon passou por cima do antagonismo político para se juntar, em Brasília e Salvador, à corrente de solidariedade que se formou em torno de ACM. Os dois se abraçaram. Os dois choraram. ‘‘Pela primeira vez na vida’’, disse mais tarde Simon, ‘‘está todo mundo ao lado de ACM, rezando por ele. Eu sou um deles.’ Simon lembra que, ao perder o filho, foi salvo pela indicação de José Sarney para que ocupasse o Ministério da Agricultura, onde buscou abrigo para sua dor e encontrou no trabalho o estímulo para continuar vivendo.
Simon acha que Fernando Henrique tem a chave da ressurreição política de ACM, e poderá indicá-lo para um cargo que o absorva, estimule e revigore. Não é de se descartar esta hipótese (e a vaga de ministro das Comunicações, deixada por Sérgio Motta, continua ocupada apenas interinamente...). O próprio ACM, que passou o dia de ontem trancado em sua casa em Salvador, deu mostras de que, embora a dor pela perda do filho não tenha arrefecido, não está disposto a jogar a toalha tão cedo. O vice-presidente da Câmara, Heráclito Fortes (PFL-PI), disse ontem, após conversar com ACM, que o presidente do Senado não irá pedir licença e muito menos renunciar ao cargo. E que, já na segunda-feira, estará no Congresso para participar das homenagens a seu filho morto.
Como mostrou ontem esta

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