Qualquer usuário da Internet poderá ter acesso, a partir de hoje, às informações sobre o Orçamento Geral da União e sua execução. A iniciativa é do deputado Paulo Bernardo (PT-PR). O endereço da home page é: www.interlegis.gov.br/c/camara/cffc
Na veiaA ONU adverte: se o mundo não ajudar, e já, centenas de milhares de pessoas morrerão de fome no sul do Sudão porque precisam plantar, mas não têm o que nem como plantar. E, além disso, são vítimas silenciosas - silenciosas ou por que ninguém as quer ouvir? - de uma guerra imbecil iniciada há mais de uma década, que se apresenta como uma luta pelo poder entre grupos políticos de origem muçulmana, que dominam o norte, contra grupos cristãos e animistas que lutam para se manter vivos no sul.
Esse rótulo imposto à guerra, no entanto, não diferencia o conflito sudanês da maioria esmagadora dos conflitos africanos: o que os deflagra é a eterna rivalidade de grupos tribais de uma sociedade primitiva num continente que foi esquecido, abandonado e lançado à própria sorte (ou azar?) depois de ter sido espoliado durante séculos e séculos.
Hoje temos o Sudão à beira da catástrofe - ou melhor, o país já é vítima de uma catástrofe, e o que a ONU pretende é evitar o aprofundamento dessa catástrofe. Mas ontem tivemos Ruanda e Burundi, anteontem a Etiópia e tantos outros países, entre os quais se destacam Angola e Moçambique e, na parte árabe do continente, a Argélia, numa sucessão de tragédias que se acumulam no tempo e compartilham o mesmo espaço. Espaço que um dia contribuiu para a riqueza, o poder e glória de muitas nações do Velho e do Novo Mundo e hoje, exaurido, é a antítese da sociedade pretendida pela globalização.
Pois o mundo globalizado, que prevê a integração de mercados, não pode contar com a África, que só tem a oferecer, em seu conjunto, a miséria, a exaustão dos solos, a ausência de infra-estrutura. E uma população que, além de concentrar a maior parte dos 800 milhões de famintos do mundo, encontra-se num estágio de civilização - ou de barbárie, em alguns casos - que não permite outro tipo de relacionamento que não seja a ajuda humanitária.
E é esta ajuda humanitária que a ONU está solicitando, poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ter encerrado sua visita história àquele continente. E o que pautou a visita do presidente norte-americano? A proposta de que essa ajuda seja substituída por um intercâmbio comercial permanente. É óbvio que os dirigentes africanos não gostaram da idéia, e por três motivos: seus governos não podem abrir mão da esmola que recebem regularmente dos países desenvolvidos; suas economias têm muito pouco a oferecer; e, em terceiro lugar, o intercâmbio comercial criaria alguns entraves à corrupção desses governos. E corrupção é o que não falta, bastando lembrar, como exemplo recentíssimo, a fortuna acumulada pelo deposto e falecido Bokassa, da ex-República Centro Africana, hoje República Popular do Congo.
A África precisa de ajuda, sim. E urgentemente. Seu contingente de miseráveis clama por misericórdia. E essa misericórdia deve ir além do simples envio de alimentos, roupas e medicamentos. Requer também um programa ambicioso de desenvolvimento, semelhante ao Plano Marshall, que fez a Europa do pós-guerra reerguer-se das cinzas. Os países ocidentais, que incluem naturalmente o Brasil, têm uma imensa dívida para com a África. É hora de começar a pagá-la.
Às claras

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