com seu fiel discípulo na Câmara, Inocêncio de Oliveira - que de inocente não tem nada além do nome - e a coisa ficou assim: o deputado bateu duro no governo após a nomeação de Serra, ameaçou uma rebelião de seus subordinados e, enquanto isso, ACM recorria à diplomacia para inglês ver enquanto, por trás dos panos, dava chutes em todos os paus de barraca que encontrava pela frente.
A tática até estava dando certo até que o caldo entornou: Fernando Henrique, a autoridade supostamente suprema da Nação, resolveu dar um basta. Na quarta-feira, durante uma solenidade chinfrim na Caixa Econômica, deu um murro na mesa e garantiu: quem manda nesta Casa de Irene é ele e ninguém mais, é ele quem decide, indicação de ministro é prerrogativa dele e quem ficar descontente que enfie a viola no saco.
Assistimos, assim, a mais um emocionante capítulo da novela ministerial, com dois protagonistas disputando o papel de sinhozinho Malta, sem que nenhum deles tenha um naco do talento de Lima Duarte, e vários figurantes querendo encarnar a Viúva Porcina, embora sem qualquer dos atributos de Regina Duarte.
Noves fora aqui, raiz quadrada ali, e o estonteante espetáculo - que bem merecia ser transmitido, em cores e ao vivo, pelo Ratinho - está se aproximando de seu the end. E então saberemos - e nesse entrevero nada podemos decidir - se ACM conseguirá desenterrar das costas de Bornhausen a faca encravada por Fernando Henrique ou se o presidente da República manterá sua posição e enfrentará seus adversários de espada em punho.
Touché!Posição mantidaChegou a hora de tira-teima, do vamos-ver, do sai de baixo: quem manda neste País é Fernando Henrique Cardoso ou o senador Antonio Carlos Magalhães e seu partido-camaleão, o PFL?
Pois não dá mais para adiar esta dúvida. O momento é este. É inadiável.
O presidente está irritado com as pressões que vem sofrendo do PFL, que teme perder seu quinhão de poder. E o PFL - e especialmente ACM - estão fulos da vida porque o presidente os apunhalou pelas costas, rompeu acordo feito com o presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen. E que acordo era este? Mais simples que uma equação aritmética de dois dígitos: com a reforma ministerial em curso, o PFL manteria as atuais pastas, e seus ocupantes seriam técnicos indicados pelos governadores dos estados dos atuais mandatários dos cargos.
Acordo selado e sacramentado, Jorge Bornhausen partiu feliz da vida para Lisboa, levando a tiracolo ACM para uns dias de merecido descanso às margens do Tejo, e eis que aconteceu o impensável, o impossível em se tratando de um presidente da República: FHC rasgou o acordo, mandou tudo às favas e nomeou o supertucano José Serra para o Ministério da Saúde. E, ainda por cima, ensaiou criar um ministério de Habitação e Urbanismo e entregá-lo a alguém de sua inteira confiança, o presidente da Caixa Econômica Federal Sérgio Cutolo. O nome do ministério não tem graça nenhuma, mas seu charme está no orçamento de R$ 8,6 bilhões, uma mina de ouro em ano eleitoral para atender sem-teto, com-teto e quejandos.
ACM ensaiou um pas-de-deux

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