Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O presidente Fernando Henrique Cardoso recebe hoje pela manhã o governador Jaime Lerner, seu aliado de primeira hora e só recentemente, com sua filiação ao PFL, integrado oficialmente à base de sustentação do governo. O motivo formal do encontro é o convite que o governador fará a FHC para que ele esteja na cerimônia que marcará o início da produção dos motores Chrysler, em Campo Largo. Mas uma oportunidade tão rara não pode se limitar a um encontro meramente protocolar. Lerner, sem dúvida, a aproveitará para abordar alguns temas de seu interesse e, da mesma forma, FHC não se privará de colher algumas impressões do governador sobre o quadro sucessório paranaense.
Antes de se reunir com Lerner, FHC fez questão de ter uma conversa ao pé-do-ouvido com o ex-governador e presidente da Telepar Álvaro Dias, a quem o PSDB quer lançar candidato ao governo do Estado. FHC e Álvaro se reuniram a sós, segunda-feira à noite, na biblioteca do Palácio da Alvorada. A conversa durou mais de uma hora e ambos só tomaram café.
Com estes dois encontros, FHC poderá consolidar suas impressões sobre o Estado, embora no momento o panorama seja tão instável e incerto como incertos e instáveis são as manifestações do fenômeno El Ni¤o. De qualquer forma, ao presidente parece não restar opção, caso Álvaro Dias se lance à disputa, a não ser recolher-se confortavelmente em Brasília durante a campanha eleitoral no Paraná, pois ele não poderá apoiar nem um nem outro candidato.
É isto que Álvaro Dias espera - mais que espera, tem a certeza de que vai acontecer - pois, em seu encontro com FHC, deixou claro que, embora somente venha a se definir no início de junho, desde já continua navegando em águas turvas com os pés em duas canoas - mantém sua intenção de candidatar-se ao Iguaçu, como, aliás, insiste o seu partido, mas, ao mesmo tempo, não abre mão da possibilidade de concorrer ao Senado. O que, aliás, seria muito menos doloroso e com perspectivas mais otimistas.
Lerner não enfrenta este dilema, mas gostaria - como tem ficado claro em suas manifestações públicas - que Fernando Henrique corresse a seu encontro e desembolasse o meio-de-campo. Ou seja, tire seu pupilo tucano da posição de atacante e o coloque em posição secundária na partida eleitoral. Mas esta hipótese esbarra em obstáculos robustos. Em primeiro lugar - e sem nenhum trocadilho - o ministro Sérgio Motta não quer facilitar a vida do PFL nem aqui nem em parte alguma do país. Álvaro é seu candidato favorito, e ponto final. Em segundo lugar, todo o PSDB, especialmente o do Paraná, entrará em crise depressiva profunda se o presidente vier a lhe dar as costas.
E, em último lugar, a pergunta decisiva: por que FHC se exporia a esses riscos e, mais ainda, declararia apoio a um candidato que eventualmente possa vir a perder, se desde já têm os dois a seu lado? O que é melhor: um pássaro voando ou dois na mão?





