Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Nada mais ilógico do que imaginar o PFL, enciumado com a entrega do Ministério da Saúde para o tucano José Serra, decidindo partir para o confronto com Fernando Henrique Cardoso. Por mais que a indicação tenha frustrado as expectativas pefelistas, por mais que essa indicação tenha violado acordo do partido com Fernando Henrique, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Os esperneios de alguns pefelistas, entre eles o líder do partido na Câmara Inocêncio de Oliveira - que ontem disse que o PFL saiu arrasado, menosprezado e chutado com esta indicação - não são mais do que isto mesmo: esperneios.
E quando o PFL esperneia, já nos ensina a tradição política, o comandante de plantão faz-se de surdo e mudo para, nos bastidores, negociar e atender às exigências do partido que nunca elegeu um presidente da República mas esteve ao lado de todos os presidentes da República.
Os queixumes momentâneos do partido refletem uma luta silenciosa por manutenção ou - de preferência - conquista de espaços, no momento em que Fernando Henrique se prepara, não para o fim de seu governo, mas para um período de transição para seu segundo mandato. Pois nos círculos do Planalto - e entre as pessoas de bom senso - prevalece a sensação de que, embora não possa ser considerada uma conquista tranquila e certa, a reeleição se dará, por mais que Lula, Brizola, Itamar & cia. queiram nos convencer do contrário.
E esse governo de transição é fundamental para consolidar a reeleição de FHC, que terá de investir em obras sociais, calcanhar-de-aquiles de sua administração, para tirar munição de seus adversários e conquistar o eleitor indeciso ou mesmo ressabiado com as medidas recessivas do Plano Real. E, para dar ênfase à área social, o presidente precisa contar com homens de sua inteira confiança, de preferência ligados ao seu partido, como José Serra, Paulo Renato de Souza, que continuará comandando a Educação, e Sergio Cutolo, presidente da Caixa Econômica Federal, que não é tucano de carteirinha mas é leal como um cão de guarda, para quem poderá ser destinado o estratégico Ministério do Trabalho.
O PFL, neste momento pelo menos, está sendo colocado em segundo plano. E irá negociar, irá conseguir vantagens, mas, a longo prazo, seu projeto de, enfim, vir a dispor de um presidente da República - e Luiz Eduardo Magalhães está sendo preparado desde já para esta missão - poderá vir a malograr. Em 2002, quando escolheremos o sucessor de Fernando Henrique, que estará concluindo seu segundo mandato, poderá entrar em cena um novo personagem - o próprio FHC que, até então, poderá ter tido êxito em sua intenção, confirmada ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), de obter autorização para concorrer a um terceiro mandato.
O projeto PFL 2002, com as mudanças que Fernando Henrique está fazendo em seu ministério para corrigir os rumos de seu governo, pode estar, neste momento, revelando-se uma utopia. O PFL poderá ter de retardar seus planos, mas jamais mudará sua relação umbilical com o governo. Seja qual for.





