Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Luís Inácio Lula da Silva, em sua visita a Curitiba semana passada, não deixou dúvidas de que terá apoio do senador Roberto Requião (PMDB) em sua campanha para a Presidência. Mas em recente reunião com lideranças da esquerda paranaense, Requião não se mostrou tão seguro assim.
PrefeitosSe há personagem da vida política nacional que chame a atenção, por seu caráter imperscrutável (como diriam os juristas) e temperamento manhoso, este é sem dúvida o ex-presidente Itamar Franco que, mesmo na condição de embaixador junto à Organização dos Estados Americanos, funcionário público, portanto, promete percorrer o país de cabo a rabo na caravana que a oposição pretende fazer para combater os planos reeleitorais de Fernando Henrique Cardoso.
O resultado da convenção do PMDB parece ter surpreendido o ex-presidente. Por confiar nos números apresentados pelo presidente do partido, Paes de Andrade, Itamar considerou favas contadas o apoio do PMDB à tese de lançamento de um candidato próprio - e esse candidato teria de ser ele, Itamar, naturalmente. Por isso, é compreensível que até agora esteja aturdido com a vitória esmagadora da ala governista que, por oportunismo ou visão estratégica, pretende manter-se fiel ao Planalto.
Ao reunir-se domingo no Hotel Glória, no Rio, com Leonel Brizola e Luís Inácio Lula da Silva, o ex-presidente oficializou seu rompimento com o governo de Fernando Henrique. E, por extensão, selou sua sentença de morte política - embora na política a morte seja uma expressão que não se deva levar ao pé da letra, como não se deve levar ao pé da letra a maioria das expressões dos políticos.
Pois bem, incorporando-se ao bloco da oposição, Itamar fecha as portas a qualquer entendimento com Fernando Henrique sobre eventual apoio do presidente à sua candidatura ao governo de Minas. Disputar o governo mineiro é, aliás, a única possibilidade de Itamar recuperar um cargo eletivo de expressão, pois o caminho para ele voltar ao Palácio do Planalto está bloqueado neste momento - e assim continuará por muito tempo. Mas a situação em Minas também não é confortável para Itamar, pois, além do governador Eduardo Azeredo, tucano que agora não terá por que não contar com o apoio do Planalto, o prefeito de Contagem Newton Cardoso, peemedebista mais maquiavélico do que Maquiavel, está em plena campanha e com prestígio crescente junto aos eleitores.
Itamar, convenhamos, trocou os pés pelas mãos e parte para uma aventura perigosa. Em primeiro lugar, apesar de demissionário do cargo de embaixador, ainda recebe por um trabalho que não está executando - pois deveria estar em Washington e não no Rio ou Juiz de Fora ou Brasília, ou seja lá onde for, tratando apenas de seus interesses políticos. Em segundo lugar, a insistência de que lutará até o fim para que o PMDB acabe voltando atrás e apóie sua candidatura só terá êxito se até junho, quando valerão de fato as convenções partidárias, o asteróide XF11 tiver caído justamente sobre a cabeça de FHC. Mas a Nasa, para a infelicidade de muitos, já descartou terminantemente esta possibilidade...
Itamar, portanto, deverá continuar sendo tratado por muito tempo como ex-presidente. A não ser que a Nasa esteja errada e o imperscrutável e manhoso Itamar vença a odisséia da corrida presidencial. Mas isto é tema para ficcionistas como Stanley Kubrick.Indecisão





