Álvaro Dias (PSDB) tem feito silêncio nas últimas semanas. Comentário de um assessor: ‘‘Pintinho na muda não pia’’.
Viva Yeltsin!O ex-presidente Itamar Franco vive um momento dramático: derrotado em sua pretensão, por mais ambígua que fosse, de convencer seu partido, o PMDB, a lançá-lo candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso, ele está magoado, desnorteado e só. Após o fiasco que foi sua aparição no plenário da Câmara dos Deputados durante a convenção peemedebista, Itamar se refugiou - como ele mesmo disse, para um ‘‘retiro político’’ - em Juiz de Fora, sua cidade natal que parece nunca ter fim, pois após uma montanha há sempre um novo bairro, e após esse bairro nova montanha, e atrás dessa montanha outro bairro e outra montanha...
É nessa cidade de limites tão elásticos e imprevisíveis que Itamar, agora como em outras vezes, busca na solidão o conforto para suas dores de espírito e as luzes para a retomada de sua caminhada. O ex-presidente e embaixador demissionário junto à Organização dos Estados Americanos perdeu a chance de voltar a comandar o País, teve sua honra enxovalhada pelos convencionais peemedebistas, sente-se traído por tudo e por todos - especialmente pelo senador Pedro Simon e pelo governador Antonio Britto, ambos gaúchos -, e assiste à passagem célere do tempo sem que a linha do horizonte lhe permita ver onde possa caminhar seguro em sua trajetória política.
Fechadas as portas do Palácio do Planalto, embora ele insista que continuará lutando para convencer o PMDB a lançar candidato próprio - tarefa praticamente impossível -, Itamar se defronta com outra barreira, mais doméstica e teoricamente mais fácil de ser transposta, que são as portas do palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Pois, enquanto o ex-presidente mantinha em Washington, sede da OEA, o suspense sobre suas reais intenções políticas, Fernando Henrique cravou a dianteira na sucessão presidencial e, em Minas, Newton Cardoso, um dos mais astutos políticos mineiros, consolidava sua posição de pretendente ao governo.
Itamar, portanto, viu os bondes passarem e, sem saber para qual destino seguir, perdeu a chance de embarcar num deles, qualquer deles. Agora, se pretender disputar o governo mineiro, terá de ir a pé, transpondo montanhas e pinguelas, já que para a presidência da República, adeus, nem rastejando. Para o governo de Minas, o apoio de Fernando Henrique - que ensaiava convencer o governador tucano Eduardo Azeredo a desistir da disputa - seria uma dádiva dos céus. Mas pode-se esperar qualquer apoio de FHC agora, depois que Itamar liderou a frustrada rebelião peemedebista contra ele?
Em seu ‘‘retiro’’, o ex-presidente vem recebendo a ‘‘solidariedade’’ de alguns líderes políticos. Roberto Freire, do PPS, esteve a seu lado, aplicando-lhe o bálsamo. Lula e Brizola tiveram que adiar o encontro, programado para ontem, devido ao mau tempo. Dos peemedebistas, seus companheiros de partido, não se tem notícia de que viajaram à cidade sem fim para consolar o amigo abandonado.
Itamar está só. Mas não neutralizado. Pois de um político mineiro pode-se esperar tudo, pois a paciência é uma de suas principais virtudes. Paciência infinita como os limites sem fim de Juiz de Fora.
Pintinho na muda

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