Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Outra indicação pretendida por Lerner é de Luiz Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho, presidente da Fiep. Lerner gostaria de vê-lo no Ministério da Indústria e Comércio, mas a vaga continuará em poder do PPB.
Agricultura, jamaisA permanente crise de identidade que convulsiona corações e mentes do PT está a ponto de eclodir. A maior liderança do partido, Luís Inácio da Silva, vulgo Lula, ameaça desistir de sua pré-candidatura à Presidência da República, cargo que já disputou duas vezes, e duas vezes foi derrotado. O baixo astral que toma conta desse ex-líder sindical já era sentido desde o ano passado quando, angustiado com as dificuldades de fazer alianças nos Estados, já emitia sinais de que tudo iria ladeira abaixo se essas alianças não fossem efetivadas.
E a menos de sete meses das eleições, quando Fernando Henrique e seus aliados do PFL estão a anos-luz na dianteira da corrida eleitoral, essas alianças pretendidas por Lula são meras conjeturas, na melhor das hipóteses, ou um vespeiro em plena atividade bélica, em casos concretos como o Rio de Janeiro. As alianças estaduais são o fundamento de qualquer campanha em nível nacional, pois a partir dos Estados se fortalecem o trabalho de rua e o aliciamento corpo a corpo dos eleitores.
Lula está só em sua cruzada para enfrentar Fernando Henrique. O PMDB jogou a toalha, Ciro Gomes e seu minúsculo PPS rastejam, o PSDB de Miguel Arraes é tão enigmático quanto às pirâmides dos faraós. A união das esquerdas morreu no nascedouro, tirando a chance de Lula desenvolver uma campanha mais agressiva e mais efetiva, e agora o distanciamento do PT de seu objetivo maior compromete ainda mais o desempenho de seu maior líder.
Leonel Brizola, do PDT, que poderia dar algum reforcinho à campanha petista, está a ponto de perder a paciência. A candidatura de Lula não decola e, no Rio, onde o candidato petista Anthony Garotinho é o franco favorito nas pesquisas de intenção de voto, a ala radical do PT não quer abrir mão da candidatura do ex-líder estudantil Vladimir Palmeira; os moderados, entre os quais se incluem a senadora Benedita da Silva, aceitam a coligação, mas impõem condições que até Deus, em sua onipotência, teria dificuldades em satisfazer.
O caso paranaense não é tão exasperante assim. Afinal, o PT poderia, em tese, se coligar com Roberto Requião (PMDB), desde que a aliança excluísse partidos conservadores, como o PTB e o PPB. Mas esses dois partidos estão em entendimentos com o senador peemedebista, e o que será do PT caso eles fechem o acordo? Para o PT, a situação do Paraná pode não ser tão dramática mas, mesmo assim, Lula ligou ontem para várias lideranças estaduais pedindo que se empenhem para a concretização do acordo com Requião. Que, aliás, já se comprometeu publicamente a apoiar a candidatura do petista à Presidência.
Com Lula ou sem Lula, as chances do PT de chegar à Presidência são praticamente nulas. Mas nenhum outro nome do partido, do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro ao governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, tem condições de preservar ou aumentar as atuais bancadas federal e estadual do partido.
Por isso, os líderes mais sensatos do partido, como José Serra e os deputados federais José Genoino e Marcelo Déda, estão soprando no ouvido de Lula: Não desista, companheiro.
Carvalhinho, bye





