Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Já está integrada no folclore popular a história - verdadeira ou não? - do anarquista espanhol que, mal pusera os pés em território brasileiro após desembarcar em Santos, perguntou a um patrício que o recepcionava:
- Hay gobierno?
E, ao ser informado que sim, não titubeou:
- Soy contra!
Pois os ardorosos defensores do neoliberalismo se comportam tal qual o fanático espanhol. Em nome da até justificada necessidade de enxugamento do Estado - e nada há mais maléfico para um país que um Estado mastodôntico, como até recentemente foi o nosso -, os neoliberais exageram na receita e nos métodos. A ter êxito o programa e as intenções de governo do nosso presidente Fernando Henrique, que aceita ser rotulado de tudo menos de neoliberal, assistiremos ao coroamento de um processo do qual nem o nosso anarquista espanhol sonharia que um dia seus descendentes em território brasileiro seriam espectadores.
O processo de privatização já rendeu mais de 50 bilhões de reais, e espera-se que este ano venha a arrecadar, sobretudo para os estados, entre 30 e 40 bilhões. As siderúrgicas, menina-dos-olhos do regime militar e dos nacionalistas mais exaltados, já foram vendidas, as maiores companhias de energia elétrica foram ou estão em processo de privatização, a telefonia celular privatizada já é uma realidade, a Embratel deve ser extinta até o final do ano etc. etc. etc.
A Petrobrás, que perdeu o monopólio das jazidas de petróleo, está nos planos de privatização do governo que, também, estuda sem alarde a extinção da previdência social e sua transferência para o capital privado. As esburacadas rodovias, quem diria, encontraram a salvação nas empreiteiras, embora ninguém consiga entender como é que o governo não tenha dinheiro para mantê-las se todos os proprietários de veículos pagam o IPVA, imposto específico para a conservação de estradas.
A privatização das rodovias, processo ao qual estamos assistindo no Paraná, com a construção de portentosos pedágios, as obras mais visíveis até o momento, encontra um obstáculo: há estradas de pouco movimento que não despertaram o interesse da iniciativa privada. Aproveito então o ensejo para propor às nossas autoridades (duvido que esse recado chege até elas, pois seria uma temeridade que me lessem) que, com o perdão da palavra,





