Brasil On Line (José Antonio Pedriali)

Meglio tardi che mai
Meglio tardi che mai, diria minha inesquecível avó Malvina, que, em seus mais de cento e tantos anos de vida (quantos foram na realidade, ninguém sabe, ninguém saberá, pois alguns visionários diziam ser ela contemporânea de Michelangelo), insistiu sempre em manter vivas expressões de sua língua pátria. Antes tarde do que nunca, portanto, gostaria de parabenizar o excelentíssimo senhor presidente da República, o onorevole Fernando Henrique Cardoso, pela lucidez e precisão que demonstrou em sua passagem por Alagoas, no final da semana passada.
Pois, senhor presidente, nada mais sábio do que suas sábias palavras ao qualificar de ‘‘sem-vergonha’’ as elites daquele Estado e do Nordeste por extensão. E já que a ‘‘elite’’ engloba a classe política, é natural que Antonio Carlos Magalhães, baiano de coração e mente, assumisse as dores de sua classe e sua gente. Mas ACM comanda um outro poder, o Legislativo, e mesmo que quisesse jamais integraria o seu governo, que não admite nordestinos e, por extensão, ‘‘sem-vergonhas’’.
Estou totalmente solidário ao senhor, senhor presidente, pois é mais que chegada a hora de combater a sem-vergonhice endêmica de nossas ‘‘elites’’, mesmo que esse desvio de caráter se restrinja ao Nordeste, como bem salientou vossa reverendíssima. Nós do Sul - e os do Sudeste, Norte e Centro-Oeste - temos a felicidade de estar imunes a este mal congênito, tão impregnado nas raízes, nos costumes e no dia-a-dia das ‘‘elites’’ da região mencionada por Vossa Sabedoria.
O senhor, senhor presidente, compartilha, na condição de carioca de nascença e cosmopolita por mérito próprio, desse estado de graça coletivo que a todos nos envolve, felizmente, por obra do destino ou ação divina (perdoe-me a invocação indevida de Deus neste manuscrito profano). E, portanto, ninguém como o senhor, sábio dos sábios, santo dos santos, para indicar a chaga e exigir sua extirpação.
Bravo, bravíssimo, maestro dei maestri. Facciamo la guerra a estes vilões da nacionalidade, e ninguém melhor que o senhor, príncipe dos príncipes, para comandar esta cruzada moralizadora. Ninguém realmente melhor que o senhor, majestade, que reúne todas as virtudes, entre elas - e há miríades que mereceriam ser mencionadas se espaço tivéssemos - a da integridade e impolutez de caráter. Ninguém melhor que vossa alteza real e imperial, que governa sem compactuar com o mal, que conquista sem barganhar, que vence sem corromper para nos dar o exemplo, esse exemplo que não tivemos em nossa História, jovem porém profícua.
Imperatore dei imperatori, comande-nos nessa batalha pela conquista de Jerusalém, pela posse de Canaã. Falta-lhe menos de um ano, senhor de todos os senhores, para o fim de seu mandato, mas queira a Nação que o senhor, soberano dos soberanos, possa prorrogá-lo por mais quatro, oito ou oitenta anos. Para tal, já lhe foi dada a autorização, por nobres e desapegados senhores, que aprovaram sua reeleição por genuíno espírito cívico. As reformas prometidas estão parcialmente aprovadas, e para isso pesou unicamente seu chamamento para o interesse público, prontamente atendido pelos mesmos nobres e desapegados senhores.
Deus de todos os deuses, que seu exemplo nos conduza à vitória. Meglio tardi che mai.

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