Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
E eis que está se aproximando o momento de entrar em cena, sob os holofotes de todo o mundo, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que pela primeira vez desde que assumiu o mais alto posto da diplomacia mundial, em janeiro do ano passado, teve uma atuação pública das mais discretas, embora seu trabalho nos bastidores seja elogiado pela maioria dos diplomatas sediados naquela organização. Annan aguarda a autorização do Conselho de Segurança para empreender o que todos crêem seja a última cartada para evitar um ataque maciço dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha contra instalações estratégicas do Iraque.
O secretário-geral da ONU, no entanto, cerca-se de toda a precaução possível para evitar fiasco semelhante a de seu antecessor Javier Perez de Cuellar - hoje um provecto senhor que desfruta de confortável aposentadoria em Lima, no Peru. Pois Perez de Cuellar, em 91, chamou a si a responsabilidade de evitar o inevitável, que foi o ataque da coalizão de 37 países, liderados pelos Estados Unidos, contra o Iraque. O fracasso de Perez de Cuellar não foi apenas um revés pessoal de um diplomata altamente capacitado, mas abalou o próprio prestígio da ONU que, primeiro, não previu a intenção de Saddam Hussein invadir o Kuwait, segundo, não conseguiu fazer com que ele retirasse suas tropas de lá e, por último, não encontrou alternativa diplomática para o impasse.
Annan, diplomata do minúsculo e paupérrimo Gana que fez carreira nas Nações Unidas, só ficou conhecido da opinião pública mundial ao assumir a secretaria-geral da organização e, até o momento, tem se pautado pela discrição e moderação de seus atos. A organização que comanda, aliás, não permite, nesta fase crepuscular em que se encontra - provocada mais pela crise de confiança em sua autoridade e utilidade que pela escassez crônica de recursos - que seu secretário-geral assuma um papel de destaque na solução de conflitos.
A crise envolvendo o Iraque e os Estados Unidos (a Grã-Bretanha é apenas um apêndice deste episódio) há muito ultrapassou o point of non return,





