Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Os fins justificam os meios, já pregava no Renascimento o grande Maquiavel, e esta máxima sintetiza com perfeição o procedimento de aprovação das reformas do Estado e da Previdência: poucas vezes o País assistiu, de forma tão explícita e vergonhosa, às negociações de última hora feitas pelo Planalto para conseguir o que havia se proposto.
Na casa do ministro das Telecomunicações Sérgio Motta - Motta, sempre ele! - foram negociados R$ 26 milhões com deputados da base aliada para que eles se deixassem convencer de que o Bem Público, que era a reforma da Previdência, deveria se impor a seus queixumes. Essa foi a cifra oficial da negociação, que será liberada pela Secretaria de Assuntos Regionais e Caixa Econômica Federal através de emendas extra-orçamentárias destinadas a obras de infra-estrutura e saneamento básico, com as quais os deputados pretendem agraciar seus eleitores necessitados.
Isto é o que veio à tona. E se isto veio à tona, permitam-me os áulicos, quanta coisa teria ficado submersa?
Deixemos a casa do ministro Motta, para nos esgueirarmos pelos corredores e gabinetes do Congresso. Ali, à luz das lâmpadas fluorescentes, que precisam ser acesas em pleno dia, deputados exigiram coisas inverossímeis para atender aos apelos do Planalto. Betinho Rosado (PFL-RN) conseguiu colocar um amigo no INSS de seu Estado - logo o INSS, logo no dia em que se alteravam as regras da Previdência para o bem da Nação! Firmo de Castro (PSDB-CE), pasmem!, obteve do ministro Pedro Malan, da Fazenda - o homem do facão - a garantia de que os deputados federais aposentados pelo Banco do Nordeste terão de volta as horas extras que recebiam em seus contracheques e que foram cortadas por determinação do diretor da instituição, Byron de Queiroz. Horas extras para aposentados? Cáspite!
E quantos mais não teriam feito pedidos incríveis, como Paulo Hesslander (MG), líder dos petebistas na Câmara, que ameaçava lançar toda a bancada contra a aprovação da reforma... se sua ex-esposa não tivesse revogada uma ordem de transferência do órgão público em que trabalha, de Belo Horizonte para o Rio. E o próprio Delfim Netto (PPB-SP), que cobrou a volta dos selos de pagamento do IPVA e seguro obrigatório, estampados nos pára-brisas dos carros, que o Contran impôs e depois voltou atrás. E qual a relação de Delfim com os selos? Elementar, caro Watson: o sobrinho do deputado é dono da gráfica que os imprimia...
Durante três anos Fernando Henrique culpou a oposição pela lentidão em que se arrastavam as reformas. A oposição, e não poderia ser de outra forma, se opôs





