Triste final de século e de milênio - a Ciência já se prepara para controlar o envelhecimento das células, a tecnologia envolve e desenvolve todas as atividades humanas, as comunicações interligam o mundo em tempo real e algumas nações se tornaram tão poderosas que, com seus arsenais nucleares, são capazes de destruir a Terra várias vezes. Mas os homens que comandam essas nações - e outras, de dimensões e poderio infinitamente menores - não se mostraram ainda à altura do poder que têm, da influência que exercem, do legado que deveriam deixar à História.
O mais recente escândalo envolvendo o homem mais poderoso do mais poderoso país da Terra é o exemplo cabal desta afirmação. O presidente Bill Clinton está ameaçado de perder o cargo caso sejam comprovadas as denúncias de que mentiu à Justiça ao negar o envolvimento sexual com uma estagiária da Casa Branca e de posteriormente tê-la aconselhada a também negá-lo em juízo.
A queda dos presidentes norte-americanos por amantes fortuitas ou duradouras já faz parte do folclore ou da tradição política daquele país e, neste aspecto, não deveria chocar a opinião pública norte-americana. Mas o que abalou a confiança dos norte-americanos em seu presidente de turno não é seu apetite sexual, mas o fato de ele ter mentido. Se mentiu numa questão tão particular, por que não poderia mentir e por que não teria mentido em outras questões que afetam diretamente a vida daquela nação?
A nação mais poderosa da Terra, e a cada dia mais poderosa, descobriu, atônita, ser administrada por um tarado por sexo oral, que usou primeiro sua condição de governador do Estado de Arkansas e depois de presidente da República para atingir seus objetivos alcoviteiros. O imbróglio em que o presidente Bill Clinton se meteu abalou de tal forma sua popularidade e paralisou perigosamente o seu governo que, do outro lado do mundo, outra nação teme ser utilizada para reverter o processo de queda livra de Bill Clinton.
Os iraquianos estão apreensivos: a pretexto da negativa do governo de Bagdá de continuar permitindo as inspeções que a ONU vinha realizando em seus arsenais, os Estados Unidos poderão lançar um ataque solitário de represália. O temor é justificado, pois no sábado Clinton ligou para vários chefes de Estado e de governo europeus pedindo-lhes que endossem um eventual bombardeio.
Os russos se mobilizam para evitar a tragédia. Por ordem do presidente Boris Yeltsin, um diplomata daquele país está para desembarcar em Bagdá para negociar com Saddam Hussein uma saída honrosa para o conflito.
E assim, assistimos a um drama ainda mais trágico que o naufrágio do Titanic, sintetizado por esses três homens que compõem hoje o triângulo do poder mundial. Três homens e um só destino, que é o empobrecimento do caráter e da índole dos líderes mundiais: Bill Clinton, o tarado; Bóris Yeltsin, o bêbedo; e Hussein, o genocida.
Não merecíamos isso, no final de um século em que o mundo se desenvolveu tecnologicamente mais que nos milênios anteriores. A última década do segundo milênio iniciou com a promessa de uma nova era, após o fim do comunismo e desmantelamento do maior império de toda a História. O capitalismo venceu sobejamente seu mais ferrenho adversário, mas não conseguiu, ainda, produzir na nação que o simboliza e em outras partes do mundo governantes à altura do novo mundo.

mockup