A ala governista do PMDB, desta vez capitaneada pelo presidente da Câmara, Michel Temer (SP), tenta uma nova investida para defenestrar do comando do partido o deputado federal Paes de Andrade (CE), que defende com unhas e dentes o lançamento de um candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Temer tem a seu lado, além dos líderes do partido nas duas casas do Congresso, os três ministros e os governadores peemedebistas.
Os governistas querem uma definição logo do partido sobre quais rumos tomar diante do processo eleitoral que está para ser deflagrado. Para eles, a atitude mais sensata seria integrar o frentão que irá apoiar a reeleição de FHC. A tese é apoiada pelo insuspeito senador Pedro Simon (RS), que teme uma fragorosa derrota do eventual candidato peemedebista - o que, para ele, faria o partido desperdiçar desde já a chance de integrar de vez a aliança governista e garantir preciosos cargos no primeiro escalão do governo - deste e do próximo, caso FHC se reeleja.
A carta que Paes carrega na manga são os militantes do partido e ele pretende apresentá-la durante a convenção nacional, marcada para junho. Paes está convencido, e não há quem o faça mudar de idéia, de que a maioria dos 513 convencionais apóia a tese da candidatura própria. O líder diz se guiar não apenas pelo palpite. Ele baseia sua posição em pesquisas internas que diz possuir.
Para ele, a manobra dos governistas - que estão articulando sua substituição por outro líder, que poderia ser o ministro da Justiça Íris Rezende (GO) ou o senador Jáder Barbalho (PA) - é uma tentativa de golpe, um ‘‘casuísmo’’. Se os governistas forçarem sua renúncia, Paes está preparado: promete recorrer à Justiça. Se isto acontecer, o partido será lançado fatalmente para um labirinto de incertezas, o que poderá comprometer definitivamente seu destino nas próximas eleições, tanto em nível federal como nos Estados.
Enquanto Paes reforça seu território diante do assédio dos adversários, o senador paranaense Roberto Requião, um dos três peemedebistas cotados para disputar a Presidência em nome do partido, fez ontem uma escaramuça em território inimigo. Municiado de uma fita cassete gravada por seu irmão, Maurício, deputado federal, Requião ocupou ontem a tribuna do Senado para denunciar que o governo está forçando os peemedebistas a apoiarem a reeleição de FHC em troca da aprovação de suas emendas. A fita foi gravada por Maurício em conversa com o chefe de gabinete interino do Ministério da Saúde, Marcelo Azalin. O funcionário, segundo Requião, ‘‘recomendou’’ a seu irmão que procurasse diretamente o ministro Luiz Carlos Santos, da Coordenação Política. Todas as emendas dos deputados do PMDB, acrescenta Requião, estão paralisadas.
Para Requião, o PMDB tem de ter candidato próprio; do contrário, segundo ele, o partido acaba, perde de vez sua identidade - se é que ainda a possui, acrescentamos.
A sorte, portanto, está lançada: os governistas esperam reunir em Brasília, dia 15 do mês que vem, o maior número possível de delegados para forçar uma definição. Paes de Andrade faz figa e torce, convencido de que já está saboreando com antecipação a vitória. A escassez de tempo, a falta de recursos e o Carnaval são os maiores entraves para os governistas reunirem os convencionais.

mockup