Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
Depois de apoiar a reeleição de Fernando Henrique e declarar-se candidato ao governo de São Paulo, Paulo Maluf está na iminência de fechar um acordo com o PFL. Antônio Carlos Magalhães já deu o sinal verde para o acordo e, ontem, o presidente do PFL paulista, Cláudio Lembo, disse ser cada vez mais forte a disposição de seu partido em apoiar a candidatura de Maluf.
Bye, RomeuO voto de confiança dado pelo presidente argentino Carlos Menem ao pacote de ajuste do Plano Real não corresponde ao ânimo de seus conterrâneos em relação às medidas anunciadas segunda-feira pelo governo brasileiro. Menem estava em visita oficial ao Brasil - encerrada na noite de terça-feira - e, portanto, não se poderia esperar dele outra atitude que não as delicadas e diplomáticas manifestações de endosso à condução da nossa política econômica e de apreço a seu colega Fernando Henrique Cardoso.
Menem pediu que tivéssemos paciência, assim como os argentinos que, hoje, segundo ele, estão colhendo os frutos das medidas duras impostas por seu governo logo após a catástrofe que assolou a Bolsa de Valores do México, em 1995. O aumento dos juros e outras medidas draconianas que o governo argentino aplicou então, explicou o presidente argentino, foram duramente condenadas mas hoje seus efeitos se refletem na extraordinária taxa de crescimento, da ordem de 8% ao ano.
Do outro lado do Prata, no entanto, a diplomacia é dispensável e a imprensa de Buenos Aires mostrou-se perplexa com o pacote de medidas baixadas de supetão pelo governo brasileiro. A perplexidade é compreensível já que a simples retração de consumo dos brasileiros poderá causar feridas profundas na sempre cambaleante economia argentina, que exporta 30% de seus produtos - de fraldas a veículos - para o Brasil, ou algo em torno de R$ 6 bilhões ao ano.
Se a perplexidade, seguida da apreensão, é compreensível, não se justifica, no entanto, que a partir de uma brusca mudança de rota do Brasil nossos vizinhos voltem a apelar para velhos clichês regionalistas. Desta vez não chegaram ao extremo de nos chamar de macaquitos, mas o jornal Página 12, de esquerda, se alarmou diante do efeito banana que o pacote de ajuste poderá desencadear.
E por falar em banana, a primeira pesquisa publicada após o pacotaço revela o óbvio: a popularidade de Fernando Henrique caiu, a confiança no Plano Real caiu, a perspectiva de aumento do consumo caiu e a previsão do aumento da inflação combinada com a recessão... subiu. A pesquisa, do Datafolha, publicada ontem pela Folha de S. Paulo é localizada em São Paulo, não pode ser interpretada como uma amostra do eleitorado brasileiro, mas expressa a tendência atual de um contingente importante do cenário nacional. Os paulistanos deram uma banana a Fernando Henrique, que tinha em junho 33% de intenções de voto e agora, 28%. Cinquenta e três por cento dos entrevistados condenaram o pacote, 33% o apoiaram em parte e apenas 7% o aprovaram integralmente.
Mas nem tudo está perdido para Fernando Henrique. Até as eleições, e dependendo do andar da carruagem, o presidente terá tempo suficiente para reverter a tendência declinante de seu prestígio. Bastará a equipe econômica soltar devagar os freios da economia, baixar gradualmente os juros e outros fatores inibidores do crescimento econômico, e Fernando Henrique poderá ressurgir das cinzas como o herói que salvou o Real da catástrofe quase inevitável.
Acordo à vista





