Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O ex-prefeito de Apucarana Walter Pegorer, coordenador do programa das Vilas Rurais, revelou ontem que é um homem que acredita em milagres. Na inauguração da Vila Rural de Ibiporã, ontem, Pegorer garantiu: na próxima administração, que, segundo ele, continuará sob o comando de Jaime Lerner, serão entregues 1.500 vilas. A Vila Rural de Ibiporã foi a 70ª entregue pelo governo Lerner.
MotimAlgo de podre está acontecendo no Reino da Dinamarca: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) autorizou o Supremo Tribunal Federal a processar um deputado! Segundo o presidente da CCJ, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi a primeira vez na história que isto aconteceu. E a vítima é Davi Alves Silva (PPB-MA), acusado, quando prefeito de Imperatriz, na década de 80, de ter falsificado documentos para aposentar precocemente seus eleitores.
A filantropia de Davi Alves poderá lhe custar caro, se o Supremo comprovar sua culpa: ele poderá ficar impedido de exercer seus direitos políticos por oito anos. A perda do mandato, no entanto, está descartada, pois até que o Supremo julgue o seu caso - o que dependerá ainda da aprovação do plenário da Câmara - já estaremos na próxima legislatura. A não ser que, também pela primeira vez na história, a corte máxima do Judiciário encontre meios para acelerar um processo.
Fraudar o INSS é considerado crime do colarinho branco, e o réu é passível de ir para o xilindró, como aconteceu com a máfia da Baixada Fluminense, chefiada pelo juiz Nestor do Nascimento, e acontecerá em breve - torçamos, vis mortais - com a advogada Jorgina de Freitas, que está na iminência de encerrar seu exílio dourado na Costa Rica.
Prisão para um deputado (ou ex, se ele não tiver renovado o mandato quando seu caso for a julgamento) equivalerá, no Brasil, à abertura do Mar Vermelho por um simples movimento do cajado de Moisés. Um milagre!
A prudência nos aconselha a ir com calma. Primeiro, porque, por enquanto, Davi Alves é apenas um acusado, embora a ação movida contra ele, de autoria do Ministério Público, esteja suficientemente documentada e o Supremo, ao pedir autorização para julgá-lo, não é besta de cometer a leviandade de processar um inocente. Em segundo lugar, o corporativismo poderá voltar a se manifestar quando a decisão da CCJ for submetida ao plenário da Câmara.
Por enquanto, o que importa é o simbolismo da decisão da CCJ. A tradição de impunidade foi quebrada, mesmo que temporariamente. Pena que a mesma comissão tenha rejeitado recentemente a abertura de processo contra outros deputados, ou tenha decidido inocentá-los, mesmo que o acusado tenha se apresentado como réu confesso. Este é o caso de Chicão Brígido (PMDB-AC), que acaba de se safar de dois processos - por supostamente ter vendido seu voto para aprovar a emenda da reeleição e alugado seu mandato para a suplente, ficando com parte dos vencimentos dela e dos funcionários do gabinete. Neste segundo caso, Chicão admitiu a irregularidade, e tudo ficou como estava.
Marquinho Chedid (PSD-SP) é o exemplo mais escandaloso. Foi acusado de extorquir proprietários de casas de bingo em São Paulo, a acusação foi respaldada por gravações, e lá está o deputado, todo frufru, circulando com desenvoltura pelo Congresso.
O caso de Davi Alves nos remete, portanto, à observação inicial deste artigo: algo de podre deve estar acontecendo no Reino da Dinamarca.
Fé no milagre





