Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
de ontem, recordei-me de tempos bem recentes da história brasileira, quando vetustos senhores e circunspectos militares reuniam-se frequentemente nas centenas de sedes da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e lá escarafunchavam, insones, os labirintos da complexa conspiração internacional engendrada por cérebros satânicos dalém Cortina de Ferro.
Com uma diferença, nobre colega, que naqueles tempos sombrios - tão próximos e ao mesmo tempo tão remotos - a cabeça da serpente estava localizada em Moscou, mais precisamente nos lúgubres porões do Kremlin, e agora, segundo o senhor, se deslocou para os majestosos castelos dos Windsor, aquela velha família que comanda o ocaso do Império Britânico. Pois o senhor disse que o principal financiador do MST e responsável por sua concepção, doutrinamento e estrutura física é a Coroa britânica coadjuvada pela Igreja daquele país, que supomos seja a Anglicana. E, mais adiante, que os líderes do MST que conhecemos - como o Stédile e o Zé Rainha - são meros testas-de-ferro de inteligências superiores que se resguardam no anomimato e agem sob o poder da Igreja Católica brasileira.
Que espanto: duas poderosas instituições religiosas se coligam para servir aos interesses da Coroa britânica que, segundo o senhor, quer provocar o caos no Brasil, utilizando-se do MST para implantar a tal República do Pontal e, assim, primeiro desestabilizar e, em seguida, inviabilizar... o Mercosul!
Perdoe-me, nobre colega, mas sua teoria conspiratória, apesar de inédita, tem o mesmo cheiro de mofo de tantas outras supostas conspirações, a exemplo da mais clássica e fictícia delas, narrada no livro O Protocolo dos Sábios de Sião. Ou mesmo no seu, O complô para aniquilar as Forças Armadas e as Nações da Ibero-américa, que deve ter sido um best-seller mundial, embora as livrarias que este articulista e seus amigos frequentam não tenham tido o tino comercial de nos informar sobre sua existência.
A seleta platéia de produtores rurais que o ouviu deve estar tendo noites de insônia. Pela última vez, nobre colega, perdoe-me, mas o senhor surgiu de onde mesmo?
EngasgadoPerdoe-me o nobre colega Lorenzo Bazúa, mas essa estória de conspiração internacional para implodir a integridade territorial e a identidade nacional brasileiras através do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é isso mesmo que o título indica: uma paranóia!.
Perdoe-me o nobre colega Lorenzo Bazúa, mas o senhor surgiu de onde? É apresentado como de nacionalidade mexicana e correspondente no Rio de Janeiro da revista norte-americana Executive Intelligence Review (muito prazer) e colaborador do Jornal do Comércio, da nossa antiga metrópole. Humildemente reconheço minha ignorância, mas o senhor deve ser alguém importante; do contrário não seria chamado pela Sociedade Rural do Norte do Paraná para abordar, terça-feira à noite, uma das questões mais delicadas da atualidade brasileira, que são os sem-terra.
Perdoe-me de novo nobre colega, mas ao ler o resumo de sua tese, publicada na Folha





