Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O dia pode não ter sido o mais apropriado, devido à tensão gerada pelas oscilações das Bolsas de Valores, mas a missão do Fundo Monetário Internacinal não perdoou: sabatinou ontem o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB) sobre as reformas propostas pelo governo. Hauly foi indicado pelo governo para atender à missão do FMI que está no Brasil.
ArrecadaçãoFuracão asiático, dia de cão, rostos tensos, gestos alucinados, pavor e pânico em todo o mundo: não, não foi nenhuma manifestação catastrófica do terrível El Ni¤o, nem um terremoto de grandes proporções, muito menos a antevéspera do Apocalipse - apenas a queda em cadeia dos mercados de ações em todo o mundo.
A segunda-feira foi historicamente anormal nos mercados de ações, com o epicentro do abalo, localizado em Hong Kong, disseminando tremores ainda mais fortes - algo impossível geologicamente - na América Latina e de menor intensidade, mas de consequências ainda mais funestas, nas capitais européias e, sobretudo, no meca dos negócios, a Bolsa de Valores de Nova Iorque.
Fomos todos dormir com a pulga atrás da orelha, contabilizando quanto tempo demoraria para que nossos bolsos refletissem, sabe-se lá em que medida, a catástrofe financeira mundial e, para os que acompanharam pela TV a cabo a evolução dos pregões nos mercados asiáticos e europeu, pela manhã, a terça-feira seria sombria.
As bolsas da Ásia e da Europa entraram em colapso pelo segundo dia consecutivo e o Índice Bovespa, poucos minutos depois de aberto o pregão, despencou vertiginosamente, passando dos 12%, quando, por medida de cautela, as bolsas de São paulo e Rio de Janeiro suspenderam temporariamente suas operações à espera da evolução dos negócios em Wall Street.
E eis que o milagre acontece: o índice Dow Jones, que havia aberto em baixa, começa a se recuperar, vai subindo e subindo, e as bolsas brasileiras reabrem e, novo milagre, quem estava vendendo suas ações desiste do negócio e novos interessados nos papéis surgem como do nada, empurrando os índices para cima.
Ufa, o Juízo Final estava adiado!
E daí? Daí que a globalização da economia conseguiu globalizar também o medo, pois o mercado de ações - essa coisa volátil e quase metafísica, que poucos de nós mortais consegue compreender - é capaz de abalar as economias mais sólidas e jogar por terra anos e anos do esforço coletivo de uma nação.
As economias asiáticas, epicentro do atual terremoto acionário, estão em crise? Sim e não. É certo que Tailândia, Indonésia e Filipinas, países emergentes e membros da segunda geração dos Tigres Asiáticos, enfrentam problemas de caixa decorrentes do aumento de suas importações (atenção, Brasil!), mas estão longe de declarar falência ou simples moratória, pois seu volume de negócios e sua capacidade de exportação e de conquista de mercados ocidentais estão em franca expansão.
Resumindo, a ópera nos enfeitiça por sua densidade dramática, enquanto seus verdadeiros atores, os megainvestidores que manipulam bilhões de dólares no chamado mercado de derivativos, estão atrás do pano se deliciando com nossas expressões de pânico ou de alívio conforme a evolução do script. Ao tornar-se global, a economia globalizou também o poder de um pequeno e afortunado grupo de especuladores, fazendo governos, mercados e nós, pobres mortais, reféns de seus interesses.
Sabatina





