O ministro da Justiça, Íris Rezende (PMDB-GO), mostrou mais uma vez que o que diz não expressa o que pensa, ou que suas palavras são absolutamente fiéis ao seu pensamento curvilíneo. Entrevistado na noite de quarta-feira por Juca Kfuri, da CNT, Rezende soltou mais uma pérola de sua farta cultura jurídica: ‘‘O maior problema da Justiça brasileira’’, disse o ministro ‘‘... é a criminalidade’’.
Lógica petistaO deputado Paes de Andrade, presidente nacional do PMDB, está se convertendo na maior pedra no caminho da reeleição, de preferência no primeiro turno, do presidente Fernando Henrique. Paes lidera a ala ‘‘rebelde’’ do partido, defensora do lançamento de uma candidatura de oposição, e está conseguindo frear, e de maneira brilhante, a ala governista que, com o natural endosso do Planalto, articula o apoio à reeleição de Fernando Henrique.
Os governistas do PMDB, liderados na Câmara por Geddel Vieira Lima, querem evitar a convocação da convenção nacional do partido e, se isto não for possível, defendem que ela se realize ainda este ano, na segunda ou terceira semana de dezembro. Para impedir a convenção, articulam a convocação do conselho nacional, pretendendo, com isso, que a decisão de lançamento ou não de candidato se restrinja a esta instância, tese que não conseguirá sobreviver à luz do sol, pois só a convenção tem poderes para tal.
Paes de Andrade fortaleceu-se no último final de semana, quando o PMDB renovou seus diretórios municipais em todo o País. Pesquisa feita junto aos diretórios, com exceção dos do Paraná, revelou que noventa por cento, para gáudio de Paes, são favoráveis a um candidato disputando com FHC. E também noventa por cento dos 260 convencionais - de um total de 526 -, já consultados pela direção do partido, querem o confronto.
O presidente nacional do PMDB está certo, portanto, de que conseguirá impor a terceira derrota a Fernando Henrique. A primeira foi se tornar líder do partido, à revelia do Planalto, que se empenhou pela eleição de Alberto Goldmann. A segunda, ao convocar a convenção nacional do partido, no ano passado, que recomendou a seus deputados federais que votassem contra a emenda da reeleição (houve traições, mas esta é outra história).
Paes trabalha com os pés no chão, sabendo da necessidade do partido em ter um candidato à Presidência como condição de preservar ou, de preferência, aumentar sua bancada federal - a terceira, precedida pelo PFL e PSDB - , suas bancadas estaduais e os nove governos estaduais que têm nas mãos. Por ironia, são esses governadores - a maioria, pelo menos - que conspiram contra os planos de Paes, reféns que são hoje das verbas e outros favorecimentos do Planalto.
A convenção será marcada para o terceiro ou quarto domingo de janeiro, como preferem os convencionais de São Paulo e dos Estados do Sul e também os pré-candidatos José Sarney e Itamar Franco. Roberto Requião, que está no páreo para obter a indicação do partido, mostra-se indiferente à data.
Só não se mostra indiferente ao fortalecimento de seu nome junto às bases do PMDB, que vêem nele o homem certo para a missão certa: revigorar, com sua candidatura, a mais poderosa máquina partidária do País e colocar FHC na defensiva. O discurso avassalador, retórico porém compreensível pelo eleitor médio, a coragem que se confunde com temeridade e, acima de tudo, a novidade que ele representará junto à opinião pública são características que fortalecem a candidatura de Requião.
Pérola de Íris

mockup