Brasil On Line (José Antonio Pedriali)
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) causou ontem um ligeiro rebuliço ao declarar, na tribuna do Senado, que Fernando Henrique Cardoso e Marco Maciel deixariam o cargo 45 dias antes da eleição do ano que vem. No lugar deles, garantiu Simon, assumiria o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães. Mal acabava de pronunciar seu discurso e o Planalto avisava, através do porta-voz Sergio Amaral, que tudo não passava de imaginação do senador.
BloqueioPasmem, o PT impõe Requião como condição para apoiar o PMDB, informou a Folha na edição de ontem, título que contém a mesma geléia geral de outros jornais, também de ontem, em relação às articulações das oposições para lançar uma ou mais candidaturas únicas à sucessão de Fernando Henrique. Indefinição de Lula atrapalha negociação, diz O Estado de S. Paulo, enquanto a Folha de S.Paulo pega carona no mesmo barco para chegar a destino diferente: Indefinição de Lula anima Tarso. Abordando o mesmo espectro político, uniforme como as cores do arco-íris, a Folha de S. Paulo informa em manchete de página que Erundina admite ser vice em chapa liderada por Ciro e o Estadão, no meio de uma reportagem, cita palavras textuais de Erundina: Basta de aventura, quero ser candidata a deputada federal.
Os títulos de hoje podem repetir os de ontem, e os de amanhã podem ser ainda mais confusos, pois confusos estão todos os que se propõem a tirar o cetro e o trono de Fernando Henrique no ano que vem. A tese da candidatura única, que surgiu para as oposições como a lâmpada de Aladim seis meses atrás, naufragou com o primeiro gênio que dela saiu - o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes - e agora seus defensores admitem duas candidaturas de oposição. Amanhã poderá surgir a possibilidade de uma terceira candidatura da esquerda ou da centro-esquerda ou da direita-esquerda, volver.
Há alguns arautos - nomeá-los seria expô-los ainda mais ao ridículo - que trabalham com a brilhante tese de que candidatura única de oposição só será possível... no segundo turno (como se fosse possível o confronto de mais de dois candidatos, ora bolas).
A oposição - ou oposições, como preferem alguns, pois há quem sabote o governo dentro do próprio PSDB ou do PFL - está perplexa. Tão perplexa que seu maior líder, Lula, preferiu ir para o exterior para refletir, aproveitando alguns encontros promovidos por organizações sindicais. Lula voltou ontem ao país, talvez para respirar um pouco do ar puro de São Paulo, mas deve voltar ao exterior neste final de semana. O PT, o maior partido da esquerda, não sabe se terá ou não candidato próprio e, se o tiver, se este candidato será Lula ou Tarso Genro.
A proposta de José Dirceu, presidente nacional do PT, de mobilizar o partido em torno da candidatura de Roberto Requião - isto se o PMDB primeiro se decidir pela candidatura própria e, depois, se o indicar candidato - soa mais como um jogo de cena. O PMDB ainda não resolveu (e resolverá um dia?) seu eterno dilema de ser governo e oposição ao mesmo tempo e deverá decidir, talvez ainda este ano, se lança ou não candidato.
A proposta de Dirceu pode ser apenas a tentativa de dar um empurrãozinho nos irmãos e camaradas indecisos do PMDB. Requião responde ao aceno com o ar de desdém (alguém me contou isso) que tinham as alunas do Colégio Sion, em Curitiba, lá pelos anos 50-60, e Dirceu retifica: o apoio poderá ser dado não só a Requião mas a Itamar Franco ou a José Sarney, se o PMDB os lançar à corrida eleitoral. Pasmem, senhores, é a geléia geral.
Rebuliço





