Os deputados federais do Paraná pelo PT receberam ontem vários telefonemas de militantes, que pediam providências contra a proposta de aliança eleitoral com o senador Roberto Requião (PMDB) e o ex-governador Álvaro Dias (PSDB). A proposta foi feita segunda-feira pelo presidente estadual do partido, Pedro Tonelli. Para Paulo Bernardo, se vingar (o que ele duvida), a aliança será o casamento de jacaré com cobra d’água.
Sem nomesA família do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tinha até a semana passada motivos de sobra para se orgulhar: o irmão do premiê, Jonathan, foi quem liderou uma das maiores façanhas militares do século, organizada pelo serviço secreto daquele país, o Mossad, que foi a libertação dos reféns, em poder de terroristas palestinos, no aeroporto de Entebbe, em Uganda, em 1976. Jonathan e uma refém foram as únicas vítimas fatais da operação.
Pois bem, 21 anos depois, a mesma família tem todos os motivos para se cobrir de vergonha, pois o primeiro-ministro foi o responsável pelo maior vexame já imposto ao serviço secreto israelense. Vexame causado pela tentativa frustrada de assassinato em Amã, na Jordânia, de Khaled Meshaal, responsável pelo escritório local do Hamas, grupo ultra-radical palestino que luta contra a soberania do Estado de Israel.
A ação do Mossad foi digna dos Trapalhões, tão aviltante quanto a frustrada tentativa da administração de Jimmy Carter de resgatar os norte-americanos aprisionados na embaixada daquele país em Teerã, logo após o triunfo da revolução fundamentalista do aiatolá Khomeini. Dois agentes do Mossad injetaram veneno na orelha de Meshaal, forma que supuseram ideal para esconder a origem criminosa da morte pretendida. Os dois só não contavam ser surpreendidos pela polícia jordaniana - e o foram, transformando a tentativa de homicídio num grave incidente diplomático.
Incidente entre Israel e - ironia das ironias - seu principal interlocutor no mundo árabe. Pois a Jordânia do rei Hussein, além de ter assinado um tratado de paz com os israelenses, além de ter dado as costas a seu poderoso vizinho, o Iraque, durante a Guerra do Golfo, permitiu que o Mossad abrisse um escritório em Amã, de onde seus agentes, com a colaboração dos jordanianos, coletavam informações privilegiadas sobre o Oriente Médio.
Incidente também entre Israel e o Canadá, que está esperneando por ter sido incluído involuntariamente na crise já que os agentes do Mossad foram flagrados com passaportes daquele país - falsos, naturalmente. E incidente com os Estados Unidos, principais aliados de Israel, cuja dimensão foi dada ontem pelo presidente Bill Clinton. Ao receber na Casa Branca o presidente de Israel, Ezer Weizeman, Clinton foi direto na ferida ao reclamar que, ao realizar ‘‘operações especiais’’ fora de seu território deveria, no mínimo, comunicar seus aliados.
Netanyahu está sendo acusado por funcionários de seu governo de ter sido o autor da trapalhada e de tê-la imposta ao Mossad, que havia recusado a idéia. A ação frustrada do Mossad dividiu o gabinete do primeiro-ministro e o Partido Trabalhista, seu principal adversário, está se mexendo para exigir o impeachment de Netanyahu.
Pela primeira vez, Netanyahu, que dia a dia vem jogando uma pá de terra sobre os tratados de paz com os palestinos, assinados por seu antecessor Yitzhak Rabin, conseguiu unir seu povo contra si. Netanyahu feriu o orgulho nacional ao enlamear um dos maiores símbolos israelenses, que é o Mossad. E vai ser cobrado por isso.
Cobra & jacaré

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