Brasil On line (José Antonio Pedriali)
O encontro de Fernando Henrique e o governador de São Paulo Mário Covas serviu para os dois lavarem a roupa suja. A informação é de um assessor de Covas. O encontro dos dois foi no domingo à noite, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e se estendeu até a madrugada de ontem.
Pela culatraA Colômbia viveu um processo, conhecido por La Violencia, de 1948 a 1976, desencadeado com o assassinato do líder liberal Jorge Gaitán e que provocou a morte de 200 mil pessoas. Na realidade, a violência política esteve na origem do país, que deve sua independência em relação à Espanha à campanha militar liderada por Simon Bolívar, e, desde, então, ficou enraizada em suas estruturas e no cotidiano de seu povo.
O país vive agora a mais recente onda de violência, provocada pela ofensiva do terror contra as eleições que se realizam no final deste mês. A ofensiva é liderada pelas duas organizações guerrilheiras remanescentes e pelos grupos paramilitares que agem à sombra das Forças Armadas. Como resultado, 1.300 candidatos desistiram de concorrer e cerca de 100 cidades, das 1.077 existentes, não poderão eleger seus prefeitos - ou porque os candidatos jogaram a toalha ou porque não tiveram coragem de se inscrever para o pleito.
As eleições deste mês serão para vereadores, prefeitos, governadores e deputados. Os mais visados pela guerrilha e pelos paramilitares são os candidatos a vereador e prefeito (mais de 30 já foram mortos), que realizam campanha localizadas e, portanto, mais próximos da mira de seus algozes. No dia 22 de setembro, um grupo de 32 candidatos a prefeito do Estado sulino de Nari¤o renunciou coletivamente depois de passar 18 dias em poder da guerrilha.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional - grupos guerrilheiros para os quais a queda do Muro de Berlim é uma miragem coletiva mundial - querem impedir a realização das eleições para pressionar o governo a combater os paramilitares com o mesmo empenho que demonstra em relação à guerrilha. E os paramilitares estão tumultuando o processo, utilizando-se dos mesmos métodos dos guerrilheiros - a coerção, os sequestros, os atentados e as mortes - para intimidar os candidatos que julgam ser simpatizantes da guerrilha.
A ameaça às eleições é um sinal sinistro para as eleições presidenciais do ano que vem e, acima de tudo, debilita ainda mais o já combalido presidente Ernesto Samper que, desde que assumiu o poder, em 7 de agosto de 1994, lançou uma onda de incerteza sobre todo o país. O primeiro golpe contra seu governo foi sentido logo após sua posse, quando o presidente foi acusado de ter-se beneficiado, durante sua campanha, de recursos provenientes dos narcotraficantes. Apesar de o processo contra Samper ter sido arquivado, a partir daquela acusação a confiança em seu governo atingiu níveis altamente preocupantes.
Tão preocupantes que os investidores internacionais e os empresários colombianos se retraíram imediatamente. A consequência disso está na recessão enfrentada pelo país. Ao assumir, Samper encontrou o PIB com taxa de crescimento de 5,7% e o nível de desemprego estava em 7,6%. Três anos depois, o desemprego saltou para 13,6% e o PIB recuou para mísero 1,33%.
O governo de Samper, assim, caminha para seu fim da mesma forma como começou: agonizante.Roupa suja





