, João Paulo 2º não poderia ter sido mais explícito: está clamando pela necessidade de uma reforma agrária ampla. Nesse ponto, ele e Fernando Henrique concordam, pois a reforma do campo é uma das prioridades do governo, mas o pontífice não se contenta com intenções, quer vê-las realizadas.
Ao clamar por liberdade em sua primeira viagem à Polônia, no início dos anos 80, João Paulo 2º deu o pontapé inicial no processo que, no final daquela década, redundaria na queda do Muro de Berlim e na pulverização do império soviético. Que sua semente, plantada ontem em solo brasileiro, germine o quanto antes e ponha fim ao muro das desigualdades que divide a Nação brasileira.



Lobby sexyAo iniciar sua visita ao Brasil - a 80ª viagem ao exterior desde que assumiu o comando do Vaticano, em 1978 -, o papa João Paulo 2º deu mais uma vez a demonstração de sua preocupação política, ao condenar as injustiças sociais e as desigualdades econômicas e fazer um apelo para que sejam respeitadas as culturas indígena e afro-brasileira, cujo papel na formação da Nação é inquestionável.
As questões sociais, que desde Leão 13 compõem a pauta de preocupações da Igreja Católica, têm sido uma das características do pontificado de João Paulo 2º. Seria, portanto, um disparate o pontífice não as abordar, para criticar o estágio em que se encontram no Brasil, campeão latino-americano da desigualdade social e econômica, ao fazer seu primeiro discurso em nosso território.
Pois ‘‘os desequilíbrios sociais e a distribuição desigual e injusta dos recursos econômicos’’ foram a tônica do discurso do pontífice, que apontou esses desajustes como a causa de ‘‘conflitos urbanos e rurais’’. A crítica de João Paulo 2º não se dirige especificamente ao governo de Fernando Henrique Cardoso, que herdou uma situação de injustiça que se arrasta há séculos, mas o endereço está mais que claro: seu governo precisa se empenhar para, no mínimo, atenuar o profundo fosso que separa a maioria da população de uma vida confortável e digna. E isto, reconheceu o papa, é ‘‘um desafio de enormes proporções’’ para ‘‘os governantes do Brasil’’.
Ao fazer a saudação ao papa, Fernando Henrique já se apresentou com a guarda fechada esperando o golpe que viria depois, no discurso do pontífice. ‘‘A preocupação central do nosso governo’’, disse o presidente, ‘‘é buscar melhores condições de desenvolvimento e justiça social’’. Este deverá ser o tema central do encontro que os dois chefes de Estado terão hoje, a sós, no Palácio das Laranjeiras.
O Vaticano adiou o documento em favor da reforma agrária que esperava divulgar durante a permanência do papa no Brasil. A alegação da Santa Sé é que, vindo à tona no Brasil, o documento poderia ser interpretado como uma intromissão nos assuntos estritamente nacionais quando, em sua essência, deve ser analisado em seu contexto mundial. A concentração de terra não é, afinal, exclusividade brasileira.
Mas ao apontar ‘‘a distribuição desigual e injusta dos recursos econômicos’’ como um dos fatores geradores de ‘‘conflitos urbanos e rurais

mockup